Consultor não vê risco imediato de apagão

O Brasil não corre risco de apagão, pelo menos até 2008, é o que garante o consultor da InterB e ex-economista principal do Banco Mundial, Cláudio Frischtak. Durante entrevista ao programa Conta Corrente, da Globo News, ele disse que os investimentos já programados na produção de energia garantem uma expansão de capacidade que atende à demanda pelo menos nos próximos quatro anos.Além disso, ele disse que há condições meteorológicas excepcionais. Sobre as declarações da ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff, de que não haverá falta de energia até 2010, o consultor ponderou que isso dependerá de investimentos que estão programados. "Mas não temos certeza de que (os investimentos) vão ocorrer", disse Frischtak.Aceleração vai até 2006O consultor disse que a InterB faz previsões otimistas quanto ao crescimento brasileiro. Para a empresa, o País deve crescer entre 4,5% e 5% neste ano, "aproximando-se mais dos 5%". Já a previsão para 2005 é de um aumento do PIB de 4%, diante de uma previsão média de mercado em torno de 3,5%. "A razão fundamental é que já se tem um impulso positivo neste ano e existem condições de a taxa de investimentos se sustentar em 4%", explicou Frischtak. "Nós vamos ter uma situação excepcional no nosso País: dois anos consecutivos de crescimento sólido."Cenário externoPor essa razão, o consultor defende que o Brasil deve ter um crescimento sustentado também em 2006, dependendo, é claro, do desempenho da economia internacional. "A questão é se este cenário, que é benigno, apesar do preço do petróleo, vai se sustentar em 2005", ressalvou Frischtak. Otimista, ele afirmou que o fato de a indústria estar com quase toda a capacidade instalada não representaria um empecilho ao desenvolvimento. "Na realidade, esses números apontam para um incentivo ao investimento", defendeu. "Nós estamos prevendo essa aceleração do investimento no ano que vem."Eleições americanasO risco para o crescimento brasileiro, segundo Frischtak, está ligado ao preço do petróleo e ao resultado das eleições nos Estados Unidos. Ele acredita que a alta do produto acontece por causa de uma bolha especulativa que deve ser esvaziada após as eleições presidenciais daquele país. "Mas nós não podemos afastar que efetivamente essa escalada do petróleo volte e com nova intensidade", destacou o consultor. Ele lembrou que nesse caso o petróleo poderia chegar a um patamar entre US$ 70 e US$ 80, provocando a recessão na economia americana. "Mas a probabilidade maior é que essa bolha seja curada após as eleições (nos EUA)."

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