Consultor prevê explosão tarifária no prazo de 5 anos Para o Norte

Apontado como um dos maiores pensadores do setor de energia elétrica brasileiro, o consultor Mário Veiga, sócio da PSR Consultoria, projeta uma explosão tarifária nos próximos cinco anos. Isso apesar de o País ter folga na disponibilidade energética e pouquíssimas chances de enfrentar racionamento.

Sabrina Valle / RIO, O Estado de S.Paulo

19 de agosto de 2010 | 00h00

Segundo Veiga, a tarifa de energia elétrica deve pular dos R$ 115 o megawatt-hora (MW/h) em 2010 para R$ 147 em 2015. Um dos principais motivos apontados por ele para a disparada vem do aumento da contratação de energia termoelétrica, mais cara. "A boa notícia é que tem muita energia. A má notícia é que vai ser cara à beça", afirmou em palestra no 6.º Encontro de Negócios da Light, no Rio.

"Nunca antes foi contratada tanta energia termoelétrica. A conta cresceu sem crescer a demanda." O incidente na Hidrelétrica de Itaipu em novembro do ano passado, quando o País sofreu um mega-apagão, aumentou o temor de falhas e provocou a redução da quantidade de energia transmitida pela usina, mais barata que a térmica.

Até 2013, quase 10 mil MW médios de energia termoelétrica entrarão no sistema. "Isso equivale a uma Usina de Santo Antônio, uma Jirau, uma Angra 3 e uma Belo Monte juntas." Os 10 mil MW foram contratados em 2008 em dois leilões, A-3 e A-5, com preço médio de R$ 130 e R$ 145 o MW/h, respectivamente.

De acordo com o consultor, cerca de 60% do aumento da energia está relacionado à contratação de energia nova, e os outros 40% se referem a contratos de energia já existentes, que serão renovados a partir de 2013. Mas o preço da energia deve ficar ainda acima do negociado nos leilões, já que, segundo Veiga, o governo subestimou a frequência com que as usinas térmicas seriam operadas.

O cálculo malfeito, segundo ele, contribuiu para estourar os Encargos de Serviço do Sistema (ESS), taxa criada para compensar custos imprevistos. A ESS passou da estimativa inicial de R$ 17 milhões para uma previsão de R$ 600 milhões neste ano.

Para completar, a Conta de Consumo de Combustíveis (CCC) - que poderia ter sido reduzida com a queda da demanda de termoelétricas e a entrada em operação de uma linha de transmissão no Norte - acabou aumentando com a aprovação, no ano passado, da MP 466.

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