Consultor vê cenário positivo para setor exportador

"Houve uma mudança estrutural e o exportador brasileiro passou a acreditar no mercado externo. Eu acho que não vai ser qualquer coisa que vai levá-lo, como se fazia no passado com qualquer brisa desfavorável, a se concentrar no mercado interno." Essa afirmação foi feita pelo consultor Roberto Macedo ao Conta Corrente, da "Globo News", para explicar a revisão para cima, feita pelo Banco Central, na previsão dos saldos da balança comercial e de transações correntes. Na avaliação de Macedo, o momento é positivo porque ocorre uma série de fatores favoráveis, como a melhoria no preço das principais commodities no mercado externo. "A demanda mundial continua aquecida. E quando a demanda mundial é boa, a economia brasileira se sai melhor." Mesmo com o dólar em patamares aquém do que muitos exportadores gostariam, a previsão é de que o País repetirá este ano um superávit comercial robusto, raciocina. "A questão relevante é que tem demanda para as exportações, seja da China, dos Estados Unidos e de outros países. Aí o desestímulo que o dólar menos caro traria aos exportadores acaba não se manifestando.""Então, junta-se o crescimento da demanda, o dólar ainda estimulante para diversos setores, recuperação de preço de commodities e essa nova atitude dos empresários brasileiros, isso tudo explica que as exportações vão continuar crescendo, se não houver algum problema lá fora." Macedo salientou que está na hora de o Brasil utilizar outros instrumentos para segurar a inflação, e não simplesmente o aumento sistemático dos juros. "Essa política do Banco Central que só usa os juros para combater a inflação é como uma estrela solitária (alusão ao símbolo do Botafogo carioca) tentando brilhar contra a inflação", comparou o consultor. Ele lembrou que a inflação tem múltiplas causas: os preços administrados, a expansão dos gastos públicos e a ampliação do crédito ao consumidor, que são imunes ao aumento dos juros. "A política (de juros) está perdendo a eficácia, por causa da atuação desses setores. Isso tem que parar em algum lugar."

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