Consultoria vê ganho de R$ 24 bilhões para agricultura do Brasil em 5 anos com 'big data'

Consultoria vê ganho de R$ 24 bilhões para agricultura do Brasil em 5 anos com 'big data'

McKinsey ressalta que melhorias de manejo agrícola com a análise profunda de dados podem maximizar produtividade de lavouras

Gustavo Bonato, Reuters

23 de outubro de 2014 | 19h16

O uso de ferramentas baseadas na análise de grandes volumes de dados, conhecidos como "big data", tem potencial de gerar ganhos de R$ 24 bilhões em cinco anos para as culturas de soja, milho e trigo no Brasil, apontou um estudo inédito da consultoria McKinsey.

O levantamento, ao qual a Reuters teve acesso, identificou 28 casos em que a análise de "big data" pode trazer resultados positivos para produtores e agroindústrias.

Em algumas fazendas, o conceito de trabalhar com um grande volume de dados já começa a aparecer por meio da chamada agricultura de precisão, em que insumos como fertilizantes e sementes são distribuídos precisamente na lavoura após análises de solo e com a ajuda de plantadeiras guiadas por satélite. 

Outro exemplo de aplicação de "big data" são sistemas de controle de frota que apontem o status, a performance e potenciais gargalos no uso de maquinário agrícola, com sugestões de otimização. 

A McKinsey indicou que é possível reduzir em 17% os gastos com tratores, caminhões, colheitadeiras e outros equipamentos móveis. A consultoria ressaltou também que melhorias de manejo agrícola baseadas na análise profunda de dados podem maximizar a produtividade das lavouras. 

"Nos últimos quinze anos, a média de aumento de rendimento agrícola no mundo é da ordem de 1% ao ano. Se conseguir 5% ao longo de cinco anos [com o uso de big data], já seria um excelente resultado, mas pode ser até mais", disse o sócio associado da McKinsey, Davide Ceper. 

O conceito de análise de "big data" usa técnicas avançadas, como algoritmos sofisticados e poderosas redes de dados para gerar conhecimento e análises que seriam praticamente impossíveis de obter rapidamente e com precisão por meio de métodos convencionais.

A McKinsey destacou que os ganhos de R$ 24 bilhões não consideram gastos necessários com equipamentos, sensores e redes de dados, por exemplo. "Mas esses investimentos não precisam ser exagerados. Depende muito do que você quer fazer", disse Ceper.

Ele citou exemplos como o uso de um drone (aeronave não tripulada) para monitorar plantações de florestas. O equipamento custa 70 a 80 mil dólares, mas paga-se em um ano ou dois, com a redução dos longos deslocamentos de equipes de pesquisa e vigilância.

Outra aplicação viável e já conhecida, citada por Ceper, é o controle preciso dos insumos químicos usados em uma usina de açúcar, em que os produtos vão sendo dosados de acordo com a qualidade da cana, medida na entrada da fábrica, para maximizar a produção e a qualidade do produto final.

A análise de "big data" pode ser oportunidade de negócio para muitas empresas prestadoras de serviço, apontou a McKinsey.

"Muitos players estão entrando neste espaço, desde empresas estabelecidas até empresas novatas e grande companhias tradicionais de tecnologia. No entanto, não há ainda um líder nesta indústria e o jogo está aberto", disse a consultoria no estudo. "Com muitas oportunidades de criação de novos modelos de negócios e de ganhos para quem for o primeiro a se movimentar." 

O estudo será apresentado pela consultoria em uma conferência com presidentes de empresas nesta sexta-feira, em São Paulo.

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