Alex Silva/Estadão
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Consumidor ainda não vê reflexo da queda da inflação e dos juros, diz pesquisa

Para 76% das pessoas ouvidas pelo SPC/CNDL, vida financeira continuou igual ou pior no primeiro semestre

Francisco Carlos de Assis, O Estado de S.Paulo

10 Julho 2017 | 10h44

Se para o mercado financeiro a redução da inflação e da taxa básica de juros (Selic) já diz muito, para o consumidor comum o pretenso alívio ainda não chegou. Para 76% de um total de 600 consumidores ouvidos numa pesquisa feita pelo SPC Brasil e Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), a vida financeira continuou igual ou pior ao longo do primeiro semestre comparativamente ao mesmo período do ano passado.

Apenas 19% dos consultados consideram que houve alguma melhora no período avaliado. A percepção predominantemente negativa se mantém elevada em todos os estratos analisados, como gênero, idade e classe social. A pesquisa abordou consumidores de todas as idades a partir de 18 anos nas 27 capitais do País.

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A avaliação que os entrevistados fazem do desempenho da economia do País como um todo vai na mesma direção. Para 39% dos entrevistados, as condições da economia brasileira pioraram nos seis primeiros meses deste ano em relação ao ano passado, enquanto para 38%, ela se manteve do mesmo jeito. De modo inverso, apenas 19% acreditam que houve melhora ao longo do período.

"A reconquista da confiança dos brasileiros ainda demandará tempo e depende de resultados mais palpáveis no campo econômico. No momento, a condição para que a economia melhore é a solução do impasse político e a aprovação das reformas estruturais, como a da Previdência e a trabalhista", avaliou o presidente da CNDL, Honório Pinheiro.

De acordo com ele, as projeções indicavam que o início da recuperação se daria ao longo do segundo semestre. "Agora, porém, levantam-se muitas dúvidas sobre essa possibilidade acontecer neste ano", disse Pinheiro.

Ainda segundo o levantamento, três em cada dez consumidores atribuem a piora nas finanças à diminuição da renda ou desemprego e 57% dos brasileiros passaram a fazer bicos em 2017 para complementar a renda. Já entre a minoria que notou alguma melhora na situação financeira pessoal, a razão mais citada é o controle do próprio orçamento, mencionado por 37% desses entrevistados.

Resultado do dinheiro mais curto, afirmam o SPC Brasil e a CNDL, é que 38% dos entrevistados foram parar nos cadastros de inadimplentes pelo não pagamento das contas. Mais da metade, ou 51% dos consumidores, admitiu ter ficado vários meses ao longo deste ano com as contas no vermelho e 56% não estão conseguindo pagar todas as contas em dia.

Cortes no Orçamento. Neste ano, 80% dos consumidores que participaram da pesquisa disseram que se viram obrigados a fazer cortes no orçamento ao longo do primeiro semestre deste ano para lidar com os efeitos da crise.

O principal item cortado por esses consumidores foi a alimentação fora de casa, segundo 57% pessoas. Outros produtos e serviços que também deixaram de ser prioridades para o brasileiro foi a aquisição de roupas, calçados e assessórios (55%), idas a bares e restaurantes (53%), gastos com lazer e cultura, como cinema e teatro (51%), viagens (51%), idas a salões de beleza (50%) e a compra de itens supérfluos nos supermercados, para 50% dos consultados. 

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