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Consumidor americano já vive em clima de recessão

Medo leva cidadão a gastar menos, aprofundando a crise nos Estados Unidos.

Alessandra Corrêa, BBC

25 de outubro de 2011 | 21h00

Enquanto cresce nos Estados Unidos o temor de que a crise econômica se agrave, novos dados divulgados nesta terça-feira indicam que, para os consumidores americanos, o clima já é de recessão.

O Índice de Confiança do Consumidor medido mensalmente pelo Conference Board (organização privada de pesquisa econômica) caiu 6,6 pontos em outubro, chegando a 39,8, o nível mais baixo desde março de 2009.

O resultado ainda está acima do verificado no auge da recessão, quando o índice caiu para menos de 30, mas continua bem aquém do patamar de 90, considerado sinal de que a economia vai bem.

Para analistas, que esperavam um índice de 46 em outubro, o resultado reflete o pessimismo dos americanos, alimentado por um ritmo de recuperação econômica insuficiente para baixar a alta taxa de desemprego - que há mais de dois anos gira em torno de 9% -, pela apreensão sobre o futuro da crise de dívida nos países da zona do euro e pela volatilidade nos mercados.

"A confiança do consumidor mergulhou em outubro, caindo ainda mais profundamente em um território de recessão", diz o economista Chris Christopher, da consultoria IHS Global Insight.

"Alguns americanos já ocuparam as ruas para mostrar sua raiva", afirma o analista, ao citar os protestos iniciados em Nova York, com o movimento batizado de "Ocupe Wall Street", que se espalharam por todo o país.

Apesar de reunir diferentes grupos e não ter um conjunto de propostas claras, o movimento tem em comum o descontentamento com o aumento da pobreza e da desigualdade nos Estados Unidos.

Os problemas atuais já foram admitidos pelo próprio presidente Barack Obama, que reconhece que os americanos estão "frustrados" e enfrenta uma campanha difícil à reeleição, diante da decepção dos eleitores com os rumos da economia.

Comércio

Os dados divulgados nesta terça-feira foram coletados entre 1º e 13 de outubro.

Segundo o Conference Board, o índice de expectativa dos consumidores também caiu ao nível mais baixo desde março de 2009, passando para 48,7.

O índice que mede o sentimento dos consumidores com a situação presente caiu sete pontos, para 26,3, o menor desde novembro do ano passado.

Em um momento em que 14 milhões de americanos estão desempregados, 96,6% dos entrevistados disseram que os empregos são difíceis de encontrar ou não são abundantes.

Em um país em que o consumo das famílias é o principal componente do PIB (Produto Interno Bruto), o Índice de Confiança do Consumidor é observado atentamente..

Os novos dados aumentam a preocupação do setor de comércio, que se prepara para as vendas de fim de ano.

"Como o sentimento do consumidor não vai ser de muito ânimo durante a estação de compras nos feriados de fim de ano, as lojas deverão promover descontos maiores e mais cedo, na tentativa de conquistar uma fatia do mercado e manter o público passando por suas portas", diz Christopher.

Mercado imobiliário

Os indicadores da confiança do consumidor foram divulgados no mesmo dia em que novos dados sobre o mercado imobiliário revelam um cenário ainda frágil.

Segundo o índice S&P/Case-Shiller, os preços das residências nas 20 maiores cidades americanas registraram alta de 0,2% entre julho e agosto deste ano.

No entanto, quando comparados a agosto do ano passado, os preços caíram 3,8%.

"Levando-se em conta como o mercado imobiliário está fraco neste ano, é surpreendente que os preços não tenham caído ainda mais", diz o economista Patrick Newport, da IHS.

De acordo com Newport, a situação ainda deve piorar.

"Se a economia entrar em recessão (probabilidade de 40%, segundo nossa avaliação), a taxa de desemprego vai subir, aumentando o número de execuções hipotecárias e levando a uma queda ainda maior nos preços das residências", afirma. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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