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Consumidor cauteloso, mas otimista

Levantamento mostra que 67% dos brasileiros planejam diminuir suas compras nos próximos seis meses

Ana Paula Lacerda, O Estadao de S.Paulo

06 de dezembro de 2008 | 00h00

O consumidor brasileiro está preocupado com a crise econômica, está mais cauteloso na hora de comprar, mas acredita que daqui a seis meses a situação financeira brasileira já estará melhor. É o que mostra uma pesquisa feita pela agência NovaS/B em conjunto com o Ibope, com consumidores acima de 16 anos e de várias classes sociais em todo o País. Do vinho à castanha, importados encarecem a ceia de NatalSegundo a pesquisa, 67% das pessoas devem diminuir suas compras nos próximos seis meses, para evitar o endividamento ou fazer uma poupança. Porém, 55% acreditam que nesse período sua situação financeira estará melhor do que a atual, e um terço afirma que a situação da economia brasileira também vai melhorar. "Existe preocupação, mas não desespero", diz Bob Vieira da Costa, sócio-diretor da NovaS/B. "As pessoas vêem que a economia está desacelerando, mas ainda não sentiram a diferença."É o caso do casal Geralda e Ademir Ávila, que na sexta-feira comprava eletrodomésticos. "Não sentimos diferença no dia-a-dia, mas não vamos comprar nada supérfluo por enquanto", conta Geralda. As compras do casal - um ferro elétrico e um liquidificador - foram pagas à vista. O mesmo será feito com o presente de Natal do filho Thiago, de 1 ano e meio. "Não gosto de dívida, e com o que a gente vê na mídia é melhor não arriscar estar endividado. Queríamos comprar uma casa, mas só vamos ver isso depois que a poeira baixar."Essa também é a reação da maioria dos brasileiros, segundo a pesquisa do Ibope. Enquanto 40% das pessoas dizem ter dívidas de eletroeletrônicos, automóveis ou casa própria atualmente, 67% afirmam que nos próximos seis meses vão evitar contrair esse tipo de financiamento. "O consumidor está mais maduro", diz Costa.A publicitária Patrícia Giacon também cortou os parcelamentos de seus planos de Natal e para o próximo ano. "Compras até R$ 100, faço à vista. Acima disso, vou juntar uma boa entrada e parcelar o mínimo possível." Ela diz que a crise não a afetou diretamente, mas já percebe aumento nos preço dos alimentos e vestuário. "Resta saber se isso provém mesmo da crise, ou se os empresários aproveitam o embalo da crise como desculpa para aumentar os preços."Os empresários são apontados por 17% dos entrevistados como responsáveis pela redução do crédito no mercado. À frente deles estão o governo (39%) e os bancos (33%). "Não sei de quem é a culpa" foi a resposta de 9% dos entrevistados.PRESENTE MAIS BARATOA sondagem da expectativa do consumidor feita pela Fundação Getúlio Vargas com dados de novembro, mostra sinais de cautela. A parcela dos entrevistados que pretendem gastar menos neste Natal elevou-se de 25,8% para 44,8%, enquanto a dos que desejam gastar mais reduziu-se de 15% para 9,3% do total. O preço médio dos presentes projetado pelos consumidores caiu 3,1% - ou seja, serão um pouco mais baratos do que no ano passado.Costa, da NovaS/B, diz que essa crise passou a fazer parte do diálogo entre as pessoas: 97% dos entrevistados já ouviram falar dela, e 78% se consideram informados sobre o assunto. "Desde a hiperinflação e o congelamento de preços, há uns 20 anos, não víamos um interesse assim."

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