Consumidor desconfia do comércio eletrônico

O crescimento do comércio eletrônico é esperado com avidez pelas empresas pontocom no País, mas os internautas brasileiros ainda apresentam alguma resistência às compras virtuais. Embora o e-commerce não tenha parado de evoluir gradativamente, uma pesquisa elaborada pelo Programa de Administração do Varejo (Provar) da Universidade de São Paulo (USP) e pela consultoria virtual e-Bit mostra algumas características que demonstram um desconfiança dos usuários de Internet com o comércio pela rede.Das 900 pessoas de quatro Estados que responderam à pesquisa, pelo menos 45,2% dos entrevistados não comprariam acessórios para automóveis, e outros 42% não se atreveriam a comprar um veículo pela Internet. A rejeição também é grande com material de construção (42,9%) e alimentos (36%).Outra questão levantada pela pesquisa diz respeito às razões que levam um internauta a não comprar em um site. Cerca de 25,3% disseram que não fariam compras se o frete de entrega é caro. Outros 18,6% consideram que a falta segurança (sistemas de criptografia, por exemplo) seriam decisivos para desistir da compra. Outros 14,2% disseram que a dificuldade de navegação é um fator inibidor e 10% responderam ainda que havia falta de opções de pagamento. Outros 9,8% reclamaram que as entregas são demoradas.Internautas ainda não arriscam comprar produtos de altos valoresO presidente da e-Bit, André Sapoznik, acredita que esses registros traçam o comportamento do internauta hoje mas não são imutáveis. Para ele, a resistência à compra de um carro, por exemplo, está vinculado ao custo do produto. "Hoje quem compra pela rede prefere os itens de menor valor", diz. Os brasileiros ainda não arriscam comprar produtos de maior valor por receio de perder o dinheiro sem conhecer bem a empresa do outro lado da tela do computador. Mas correm o mesmo risco com compras de menor valor. Prova disso é a lista de produtos mais aceitos pelos internautas, identificado na pesquisa Provar/e-Bit: pelo menos 83,9% dos entrevistados já compraram CDs, 74,4% adquiriram livros, 48,3% compraram produtos eletroeletrônicos, e 46,1% assinaram algum jornal ou revista. Somente 4,1% dos participantes da pesquisa já tinham feito compras entre R$ 501 e mais de R$ 1000.

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