Consumidor deve evitar compras parceladas

Especialistas em consumo recomendam ao consumidor ter cautela na hora de realizar uma compra parcelada neste momento. As incertezas do mercado financeiro, com alta do dólar, a perspectiva de guerra no Iraque, as quedas das bolsas internacionais e as eleições no país, são os principais motivos para o consumidor evitar dívidas. A melhor forma de evitar gastos desnecessários com juros de financiamentos é elaborar um orçamento doméstico detalhado e um consumo racional.Os especialistas em consumo avaliam que o planejamento adequado do orçamento doméstico não é tarefa fácil mas, pode evitar uma série de dívidas e trazer resultados compensadores. A diretora de estudos e pesquisas da Fundação Procon-SP, órgão de defesa do consumidor ligado ao governo estadual, Vera Marta Junqueira, destaca que o consumidor deve administrar suas compras de acordo com sua realidade e necessidade.Vera Marta ressalta que se o consumidor optar por compras parceladas ou financiamentos deve saber que isso pode onerar seu orçamento por um determinado período. "Se não tiver controle sobre os juros dos financiamentos, nem por cheques pré-datados, o consumidor pode não conseguir pagar suas dívidas e ficar inadimplente", avisa a diretora do Procon-SP.As incertezas do cenário econômico devem despertar no consumidor uma consciência par o consumo racional, orienta a diretora do Procon-SP. "O consumidor deve controlar seu orçamento conforme sua realidade e necessidade. Neste momento de insegurança e necessário economizar em pequenos e grandes gastos", explica. Vera Marta diz que um diálogo com a família sobre como economizar nas pequenas coisas pode representar uma grande economia no final do mês.JurosO analista financeiro, Mauro Halfeld, avalia que o momento é de evitar parcelamento e gastos desnecessários. "O consumidor deve evitar parcelamentos. Compras só à vista. Neste momento de incerteza política e econômica, o consumidor deve se precaver para o pior", orienta. Ele alerta que os juros são os principais responsáveis pelas grandes dívidas do consumidor.Essa afirmação é constatada na pesquisa realizada pela Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) para identificar os gastos mensais dos consumidores (veja o link abaixo). De acordo com o estudo, os encargos financeiros engolem 29,83% do orçamento doméstico. Ou seja, de cada R$ 100,00 gastos mensalmente, R$ 29,83 são utilizados para pagar juros de crediários, cartão de crédito e cheque especial. O estudo foi realizado com 3.477 consumidores de São Paulo entre os meses de julho e agosto.Mauro Halfeld recomenda fugir dos juros do cheque especial e cartão de crédito. De acordo com a pesquisa mensal realizada pela Fundação Procon-SP, órgão de defesa do consumidor ligado ao governo estadual, a taxa média utilizada pelos bancos no cheque especial em agosto foi de 8,76% ao mês. Já a pesquisa realizada pela Agência Estado junto as administradoras de cartão de crédito constatou que a taxa média de juros por atraso é de 9,78% ao mês, no rotativo, e de 10,25% ao mês, por atraso. (confira os links abaixo). FGTS e 13o salárioO pagamento dos expurgos do Fundo de Garantia por Tempo de serviço (FGTS) e do 13o salário deve ser utilizado, em primeiro lugar para pagar dívida. O economista da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Emílio Alfieri, aconselha o consumidor a aproveitar este dinheiro para pagar dívidas. "O consumidor deve primeiro resolver suas pendências. Depois realizar compras à vista, de preferência", orienta.O analista financeiro, Mauro Halfeld, também orienta o consumidor a saldar suas dívidas com o pagamento do 13o salário. "Quem não tem dívidas deve aproveitar para poupar o dinheiro, pois quem tem emprego atualmente pode não ter daqui uns meses, devido às incertezas políticas e financeiras", alerta. Ele também recomenda evitar empréstimos. "A não ser que seja para pagar dívidas contraídas com juros maiores", afirma.

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