Consumidor deve pechinchar nas compras à vista

Muitos consumidores não acham elegante pechinchar para conseguir o desconto em uma compra. Especialistas em finanças pessoais acreditam que na maioria das vezes o consumidor tem vergonha ou acha feio pedir o famoso "descontinho amigo" na hora de efetuar a compra de automóvel, roupas, de objetos pessoais ou até de imóveis. O professor do Laboratório de Finanças da Universidade de São Paulo (Labfin-USP), Ricardo Humberto Rocha, alerta que os consumidores deveriam barganhar mais. "Negociar, pechinchar, barganhar um desconto faz parte do processo de compra e venda. O consumidor deve pechinchar sim nas compras à vista", esclarece o professor.Os dados econômicos afirmam que as vendas a prazo estão em queda e as compras à vista estão crescendo. No mês passado, o comércio de São Paulo recebeu 1,291 milhão de consultas para compras financiadas, 50 mil consultas a menos do que em fevereiro, tradicionalmente o período mais fraco. Na comparação com setembro de 2000, o recuo foi de 8,4% nas consultas ao Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC) da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). Em relação a agosto, a queda chegou a 17,1%. A crise argentina, o aumento dos juros, o racionamento de energia elétrica e o efeito psicológico do atentado terrorista aos Estados Unidos, além de um menor número de dias úteis em setembro, são os fatores apontados para esse fraco desempenho. Já as consultas para vendas à vista cresceram 3,5% em setembro ante igual período de 2000.Lojas inibem pechinchaRocha avisa que o comércio em geral está utilizando uma tática para evitar a "choradeira" do consumidor na hora da compra. "As lojas estão oferecendo mercadoria em até 12 vezes com o mesmo preço à vista". Porém, professor do Labfin-USP alerta que esta atitude não significa que o comerciante está descontando os juros, mas sim que existem juros embutidos no preço à vista da mercadoria. "O consumidor deve barganhar se comprar à vista, independentemente das formas de pagamento oferecidas pelo lojista", avisa Rocha. Ele avalia que o consumidor sempre tem uma margem de desconto na compra de bens materiais, porém, no Brasil as pessoas não tem a cultura de pedi-lo.O orientador em finanças pessoais Eduardo Silva destaca que o consumidor não deve ter vergonha de pechinchar, pois qualquer centavo economizado significa uma renda para uma próxima compra. "Pechinchar não é uma atitude vergonhosa. É preciso criar o hábito, muitas pessoas têm vergonha de pechinchar, mas não têm vergonha de ficar devendo na praça", acredita.Não pechinche em restaurantesOs especialistas em finanças destacam que o consumidor pode pechinchar ou pedir um desconto em quase todos os estabelecimentos comerciais, exceto em restaurantes e lanchonetes. "O ideal é pechinchar junto aos estabelecimentos que trabalham com materiais como roupas, calçados, objetos pessoais, automóveis e imóveis", avalia Eduardo Silva.

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