Consumidor deve primeiro quitar dívidas

O trabalhador com dívidas deve aproveitar o recebimento da primeira parcela do 13.º salário para liquidar total ou parcialmente os débitos. A chegada do dinheiro extra é uma boa oportunidade de acertar as contas e fugir das taxas de juro que corroem a renda do trabalhador endividado. Com o dinheiro no bolso ou na conta corrente, o devedor fica fortalecido também para algumas barganhas. Para começar, poderá negociar melhores condições de pagamento de dívidas vencidas. E obter descontos nas parcelas que vencem no futuro. O consultor Paulo Possas, da Eagle Capital, comenta que, com o 13.º na mão, é possível obter vantagens ao renegociar dívidas antigas. Possas recomenda que o devedor dê preferência ao pagamento, primeiramente, das dívidas com taxas mais elevadas, como os débitos do cheque especial e do cartão de crédito. O consultor Mauro Giorgi completa: "Credor que paga em dia ou antecipadamente sua dívida costuma obter empréstimos futuros com mais facilidade." Possas sugere uma opção interessante de redução ou liquidação da dívida. Se alguém deve R$ 5 mil, com juro de 6% ao mês, e tiver um carro de mesmo valor, poderá vender o veículo e comprar outro, também de R$ 5 mil, financiado. O custo do financiamento do novo carro, em torno de 3% ao mês, será equivalente à metade do juro cobrado na dívida quitada, diz. AplicaçãoO investimento de uma parte do 13.º salário, até como reserva para despesas emergenciais, sem gastá-lo totalmente em compras de fim de ano, é uma decisão prudente, diz Possas, da Eagle Capital. Passo seguinte, a questão é saber onde investir. Se o objetivo for a construção de uma reserva, o dinheiro não poderá ficar exposto à instabilidade da renda variável. Giorgi diz que uma aplicação em renda fixa, com retorno de cerca de 22% ao ano no momento, pode manter o poder de compra do capital, apesar das incertezas com a inflação. O investidor que já tem casa própria ou reserva de valor equivalente pode destinar uma parte dos recursos à compra de ações com objetivo de retorno no médio e longo prazos, diz Possas. Outra opção, para Giorgi, é investir em fundos multimercados, mais arriscados. Mas o investimento não é tudo. Giorgi comenta também que, para sentir-se melhor, o trabalhador deve gastar uma parcela do 13.º como objetivo de realização pessoal e busca de satisfação após um ano de trabalho.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.