Consumidor é jovem e tem alta escolaridade

Adultos com menos de 30 anos predominam nas aquisições nos padrões econômico e médio

Gustavo Coltri, O Estado de S.Paulo

23 de fevereiro de 2014 | 02h13

O comprador de imóveis na região metropolitana de São Paulo tem alto grau de escolaridade e está cada vez mais jovem, mas, independentemente do seu momento de vida ou do poder aquisitivo, coloca a localização dos empreendimentos como prioridade de aquisição.

Estudo realizado pela Lopes Inteligência de Mercado sobre 1.385 imóveis residenciais adquiridos na Grande São Paulo entre janeiro de 2012 e junho de 2013 indica que a idade mediana dos consumidores de unidades novas caiu dos 39 anos para os 37 de um ano para o outro.

Os jovens entre 25 e 29 anos ganharam destaque no primeiro semestre de 2013, quando 461 negócios do total da pesquisa foram apurados. Eles são os mais numerosos entre os adquirentes de imóveis de perfil econômico, com 24% da amostra. Essa faixa também lidera entre os bens de padrão médio, presente em 19% das respostas desse segmento. Juntos, os dois padrões reúnem oito em cada dez bens vendidos no período.

A diretora geral de atendimento da Lopes em São Paulo, Mirella Parpinelli, afirma que a popularização de unidades menores - um efeito da alta de preços dos imóveis nos últimos anos - e a expansão do crédito imobiliário no País, com a ampliação do prazo e a redução dos juros, aproximou dos lançamentos os adultos mais novos.

"Os filhos de famílias de Moema, da Vila Olímpia e de outros bairros consolidados não conseguiam comprar imóveis perto de onde viviam porque a oferta era de unidades maiores. Hoje, os apartamentos pequenos (com padrão alto e preço mais acessível) permitiu que eles entrassem no mercado", diz. Por outro lado, moradores com menos de 30 anos de regiões periféricas estariam procurando empreendimentos localizados em áreas mais centrais, abrindo mão do espaço interno em nome das facilidades de acesso.

A arquiteta Thais Barreto, de 24 anos, e o seu namorado, Guilherme Izquierdo, também de 24, uniram esforços para adquirir um apartamento de dois dormitórios no empreendimento Bosques da Lapa, projeto da incorporadora Even na zona oeste da capital. "Sozinha, eu não conseguiria comprar um apartamento com esse padrão", diz a jovem, que hoje mora na zona leste e pagou cerca de R$ 400 mil pelo bem. Eles vão morar juntos quando o residencial for entregue, em fevereiro de 2016.

A localização do condomínio, muito próximo à Marginal Tietê, contribuiu para a decisão de aquisição do apartamento, segundo ela - em todos os padrões, esse é o aspecto mais importante citado pelos entrevistados no estudo da Lopes. No segundo lugar das preferências, o gosto dos consumidores difere entre os imóveis econômicos e aqueles nobres (leia abaixo).

O perfil do casal coincide também com a característica dos compradores dos imóveis mais lançados e vendidos atualmente, com dois dormitórios e pouco mais de 50 m². O público típico desses bens é o de famílias recém-formadas, com, no máximo, um filho, além de jovens no começo da vida independente e descasados ou viúvos. No momento da aquisição, essas figuras dividem espaço ainda com os investidores interessados em rendas de locação, de acordo com o professor do curso de pós-graduação em negócios imobiliários da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), Ricardo Rocha Leal.

A presença dos investidores é, no mercado atual, inversamente proporcional ao tamanho das unidades, segundo Leal. Os studios e os apartamentos de um dormitório atrairiam, em grande parte, clientes interessados no baixo custo relativo dos bens e na alta liquidez dos produtos, com foco bastante grande na revenda. A partir dos dois dormitórios, diz o professor, os imóveis passam a atrair cada vez com mais força os usuários finais dos bens.

Os empreendimentos com unidades de três e de quatro dormitórios têm como clientes fundamentalmente famílias maiores sem objetivo de investimento. Com metragens entre os 70m² e os 80 m², os três dormitórios mais comuns, compactos, interessariam aos mesmos usuários dos bens de dois dormitórios, mas em outro estágio de vida, quando essas famílias passam a ter novos integrantes.

"Já os imóveis de três dormitórios com 100m², 120m², atraem as famílias que antes procurariam os imóveis de quatro dormitórios quando o preço dessas unidades cabia no bolso." Produtos de nicho, os imóveis com muitos dormitórios e amplas metragens situam-se no segmento de luxo, destinados a famílias estruturadas e dispostas a pagar bem caro pela sofisticação dos espaços.

O adquirente mediano de alto padrão é mais velho do que o dos demais segmentos - a mediana da idade da amostra tem 39 anos contra 33 nos padrões econômico e médio. "É a última compra de imóvel que ele está vislumbrando", diz a diretora de marketing da incorporadora Alfa Realty, Cíntia Valente. A empresa é especializada em empreendimentos premium.

Atentos. É crescente nas aquisições a presença de compradores de primeira viagem. Em 2013, eles eram 35% do total de compradores, contra 28% do verificado no ano anterior. Entre os imóveis mais baratos, com valor de até R$ 400 mil, os novatos chegam aos 54%. Nem de longe, no entanto, a inexperiência se traduz em ingenuidade.

Do ponto de vista de qualificação educacional, o alto grau de instrução caracteriza os compradores, independentemente do padrão dos produtos. No segmento econômico. 77% têm, ao menos, curso superior. Entre os imóveis de perfil médio e alto, os porcentuais ficam em 90% e 89%, respectivamente.

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