Consumidor em apuros contribui para estagnação

Entre o último trimestre de 2013 e igual período de 2014, deteriorou-se a situação dos consumidores brasileiros, segundo pesquisa da consultoria Nielsen. Faltam recursos e falta confiança - e não apenas no Brasil, mas na América Latina em geral, com a exceção do Peru, segundo outro levantamento da empresa. E como os levantamentos se referem aos últimos meses do ano passado, é provável que piorem neste trimestre, quando começa a ser cobrada a fatura dos preços administrados atrasados da energia elétrica, dos combustíveis e do ônibus, pressionando a inflação.

O Estado de S.Paulo

06 de março de 2015 | 02h05

Apenas 12% dos consumidores entrevistados tinham alguma sobra de recursos após pagar as despesas essenciais, 1 ponto porcentual menos do que a média mundial e 5 pontos porcentuais menos do que no último trimestre de 2013. Do que sobrava, 15% iam, em 2013, para a caderneta de poupança - porcentual que caiu para 11% no trimestre passado. Foram mais preservadas as aplicações em previdência privada (de 6% para 7% das sobras) e em fundos ou ações (de 13% para 15%), o que se explica pelo aumento das taxas de juros, atraindo investidores.

Os consumidores preferiram gastar dinheiro com entretenimento fora de casa (de 37% para 39%), enquanto reduziam os demais pagamentos. Sem dinheiro para gastos com itens não essenciais, foram reduzidos os dispêndios com roupas novas, viagens de férias, produtos com novas tecnologias, decoração ou melhorias no lar. Diminuíram (de 40% para 36%) até os gastos com o pagamento de dívidas, cartão de crédito e empréstimos - o que pode ser explicado tanto pela diminuição da procura de empréstimos como pela impossibilidade de quitação. Num ou noutro caso, são situações indesejáveis.

A consequência da falta de recursos para gastos discricionários é o aprofundamento da estagnação. Sem vender, o comércio não compra da indústria. "O baixo crescimento, a preocupação com relação ao emprego, o endividamento e, principalmente, a inflação criam um cenário mais difícil para o consumidor e comprometem a intenção de gastos", afirmou Arlete Correa, da Nielsen, ao jornal Valor.

Houve, em janeiro, um leve recuo no endividamento das famílias, segundo a Confederação Nacional do Comércio, mas o que os consumidores pagam para comprar a casa própria ou o automóvel limita a sobra para os supérfluos. E isso não mudará no futuro próximo.

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