Consumidor evita endividar-se mais

Pesquisa recente do Banco Central mostrou que o endividamento das famílias, de 43,7% em junho, caiu 0,9 ponto porcentual, em relação a dezembro passado, e 2,2 pontos, em relação a junho de 2015, e chegou ao menor patamar desde dezembro de 2012. Não se trata do único levantamento sobre a situação financeira do consumidor – outros apontam para um quadro pior –, mas reforça o sinal de que famílias evitam contrair novas dívidas até que melhorem as perspectivas de emprego e renda.

O Estado de S. Paulo

09 Setembro 2016 | 03h21

O nível de endividamento apurado pelo Banco Central (BC) leva em conta o saldo das dívidas das famílias em determinado mês, comparado à renda acumulada em 12 meses. Se o endividamento declina, este é um sinal de que o consumidor está fazendo um enorme esforço para se ajustar e evitar a inadimplência.

Pesquisa da Confederação Nacional do Comércio (CNC) mostrou uma redução do endividamento na comparação anual: em agosto de 2015, 62,7% das famílias estavam endividadas, porcentual que caiu para 58% em agosto de 2016. Houve, porém, pequena alta de 0,3 ponto porcentual em relação a julho.

Outro levantamento, encomendado pela FecomercioRJ, indicou que 24% dos entrevistados aumentaram suas dívidas, enquanto apenas 15% conseguiram reduzi-las. Entre estes, muitos tiveram de usar reservas financeiras para não se tornar inadimplentes.

O BC separa as dívidas para a compra da casa própria das demais. As dívidas sem incluir os financiamentos imobiliários reduziram-se mais fortemente, de 27,2% para 24,9% entre junho de 2015 e junho de 2016, o que é bom sinal. Essas dívidas têm custo médio bem mais elevado do que as dívidas imobiliárias, que, por sua vez, significam investimento, pois quem adquire um imóvel pode livrar-se do aluguel.

Ao quitar dívidas antigas, o consumidor abre espaço para tomar dívidas novas – e é provável que isso aconteça tão logo os juros comecem a cair e a economia ensaie uma retomada, tornando mais previsíveis o emprego e a renda. Por enquanto, os juros ainda são altos, desestimulando a tomada de empréstimos. O consumidor deve evitar o pagamento de juros altos, pois as previsões são de queda da taxa básica, principalmente no ano que vem.

O último boletim Focus, do Banco Central, previu que o juro básico cairá de 14,25% ao ano hoje para 13,75% em dezembro e 11% no fim de 2017. Só faltará o repasse da queda para o consumidor.

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