Conta de luz de Márcia passou de R$ 73 para R$ 189. FOTO: Clayton de Souza/Estadao
Conta de luz de Márcia passou de R$ 73 para R$ 189. FOTO: Clayton de Souza/Estadao

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Consumidor já apela para o ‘rodízio de pagamentos’

Cabeleireira paga contas com atraso, mas evita que cheguem a 90 dias, para que serviços não sejam cortados

Márcia de Chiara, O Estado de S. Paulo

21 de junho de 2015 | 22h00

O aumento dos preços de tarifas como energia elétrica e telefone, por exemplo, fez o brasileiro buscar saídas criativas para evitar o corte dos serviços, mesmo pagando as contas com atraso.

A cabeleireira Márcia Nascimento de Camargo, de 32 anos, casada e mãe de dois filhos, explica que está fazendo uma espécie de rodízio na quitação das despesas básicas de água, luz e telefone. Ela paga a conta, mas depois do vencimento.

“No mês passado atrasei a conta de luz. Neste mês será a de TV a cabo. É o jeito que eu estou usando para conseguir me equilibrar. Só não deixo o atraso passar de 30 dias, senão eles cortam o fornecimento do serviço”, diz a cabeleireira.

Entre as despesas de energia elétrica da sua casa e do salão, que funcionam no mesmo endereço, ela gastava em média R$ 73 por mês antes do reajuste da tarifa. Agora, a conta subiu para R$ 189. 

E, mesmo com aumento da despesa com energia elétrica, ela diz que não consegue repassar para as clientes. “Se aumentar o preço, ninguém mais faz cabelo. O pessoal já está cortando (despesas com ) a cabeleireira”, reclama Márcia. 

Além do rodízio no pagamento das despesas compulsórias, Márcia está também reduzindo os gastos com energia elétrica e com a água. No lugar de enxaguar quatro vezes o cabelo das clientes, agora ela faz essa operação apenas duas vezes. Com isso, conseguiu economizar água também.

Renegociação

O dono de restaurante Nelson Rabay, de 49 anos, é outro que está economizando energia elétrica em sua casa. A conta, que normalmente era de R$ 190 por mês, subiu para R$ 350. “Estamos economizando na medida do possível.” 

Mas no seu restaurante, que ficou fechado por um período de oito meses, ele está tentando renegociar o pagamento das contas atrasadas, que somam R$ 1.849.

No ano passado, o empresário sofreu um acidente e teve de parar de trabalhar. Fechou o restaurante e, sem faturamento, deixou de pagar a conta de luz. Agora tenta um parcelamento da dívida pendente. “Vi na TV que um senhor conseguiu parcelar as pendências da conta de luz em 12 vezes num feirão. Vou tentar em seis.”

Animado com a reabertura do restaurante de comida árabe, Rabay diz que não pretende subir os preços dos pratos do seu estabelecimento, apesar dos aumentos de custos das tarifas e também dos alimentos. “A cebola hoje é um luxo, o quilo custa R$ 8. É preço de tomate”, diz.

Sua estratégia para tentar ter sucesso com o negócio num ambiente de crise é ter preço menor e ganhar no número de pratos vendidos. “Um estudo da Abrasel (associação do setor de restaurantes) mostra que quem vende hoje um almoço por mais de R$ 30 está perdendo clientes e quem trabalha abaixo de R$ 15 está ganhando. Não consigo trabalhar abaixo de R$ 15. Vou tentar ficar entre R$ 17 e R$ 18”.

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