Leonardo Soares/AE
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Consumidor já paga até R$ 3 pelo litro de gasolina em São Paulo

Preço de combustíveis na cidade é o maior em sete anos; no interior do Estado, preço do etanol na bomba começa a cair

Marília Almeida, O Estado de S.Paulo

29 de abril de 2011 | 00h00

Ao contrário das previsões, os preços da gasolina e do etanol na cidade de São Paulo continuam a subir este mês e são os mais altos desde maio de 2004, último dado disponível, segundo levantamento de preços feito em 1047 postos pela Agência Nacional dos Combustíveis (ANP).

Este mês paga-se, em média, R$ 2,67 pelo litro de gasolina e R$ 2,19 pelo etanol em São Paulo, alta de 4,49% e 8,7% em relação a março, respectivamente. Mas é possível encontrar gasolina a mais de R$ 3 em pelo menos três postos da cidade, na região da Barra Funda e Jardim América, segundo levantamento da ANP da semana passada. Já o preço mais baixo era encontrado na Casa Verde, a R$ 2,37.

Em maio de 2004, pagava-se R$ 1,86 pela gasolina e R$ 0,79 pelo etanol. Desde então, a gasolina subiu 43% e o etanol, 177%. Nos últimos 12 meses, o aumento foi de 9,6 % e 48%. Isso porque este ano, além do fator sazonal da entressafra da cana-de-açúcar, distribuidoras e usinas de etanol citam fatores climáticos excepcionais, como chuvas intensas, que prejudicaram a plantação e reduziram a oferta.

Por outro lado, a demanda pelo combustível vem crescendo, assim como a venda de automóveis e o aumento de renda da população. Porém, os investimentos no setor não são suficientes para atendê-la, de acordo com o economista Thiago Curado, da Tendências Consultoria.

Para completar, o açúcar teve forte valorização em 2010, o que levou produtores a optarem pelo açúcar, mais rentável. Como a gasolina é composta por 25% de etanol, também sofre com o aumento. José Alberto, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo de São Paulo (Sincopetro), diz que os preços são reajustados na usina e os postos repassam a alta. "Há quem coloque margem maior. Resta ao consumidor evitar o mais caro."

No interior do Estado, entretanto, o preço do etanol nas bombas já começou a cair. A queda nas últimas quatro semanas passou de 10% em alguns municípios e, pela primeira vez, o preço médio do litro baixou dos R$ 2.

Projeção. Com o aumento dos preços, o Banco Central finalmente reavaliou sua estimativa para a gasolina este ano. Segundo a ata da reunião do Copom da semana passada, divulgada ontem, a projeção para o combustível subiu de estabilidade para 2,2%, "em virtude dos aumentos ocorridos em 2011". A expectativa é a de que o preço do gás de botijão não sofra alteração ao longo do ano. / COLABORARAM CHICO SIQUEIRA, FÁBIO GRANER E CÉLIA FROUFE

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