Consumidor já pode sentir redução de juros, diz economista

Os reflexos sobre a decisão tomada ontem pelo governo de reduzir a taxa de juros de 19% para 18,75% ao ano começarão a ser sentidos imediatamente pelo consumidor, em alguns casos de pedidos de crédito. Esta é a opinião do professor da Faculdade de Economia da Universidade de São Paulo (USP) e vice-presidente da Nossa Caixa, Joaquim Elói Cirne de Toledo, que, durante entrevista à Rádio Eldorado AM/SP, citou o mercado de veículos como exemplo disso, por se tratar de um segmento muito competitivo e com boas garantias. Para ele, qualquer redução na taxa de mercado, inclusive as dos chamados mercados futuros, vai na seqüência uma queda da taxa para o consumidor. O economista, no entanto, destacou que em outros casos pode não haver mudanças. "Vamos dizer, por exemplo, no caso do cheque especial, provavelmente não haverá nenhuma alteração", opinou.Cirne de Toledo considera que a redução dos juros terá um efeito na atividade econômica do País, porém, segundo ele, será um reflexo modesto. "A redução de juros tende, normalmente, a estimular coisas como o preço dos imóveis, e, portanto, estimula a atividade e simultaneamente existe uma redução de risco na economia porque, quando acontece como aqui no Brasil, que o governo paga juros excessivamente elevados, ele provoca risco e portanto a redução dos juros reduz risco e também estimula um pouquinho a atividade", explicou. Ele, no entanto, considera que a redução dos juros poderá vir acompanhada de uma pequena queda da taxa de câmbio e da inflação porque o País vivia uma situação paradoxal. Segundo o professor da USP, "os juros eram excessivamente elevados no Brasil e acabavam tendo efeitos muito estranhos".AtoleiroO vice-presidente da Nossa Caixa considera que o Banco Central (BC) continuará adotando uma política "absolutamente" equivocada de juros. Ele comparou a ação do BC sobre a política de juros no Brasil a de um motorista inexperiente que tem seu carro atolado na lama. "Quando está num atoleiro, coloca a primeira (marcha) e senta o pé no acelerador e isso não faz com que ele ande, pelo contrário, se atola mais ainda", comparou. Cirne de Toledo explicou que se os juros fossem muito mais baixos o País teria boas conseqüências, mas que o BC sempre alegou que se a inflação ficar acima da meta estipulada pelo governo os juros não seriam reduzidos e até poderiam subir. "Ele (BC) surpreendeu a todo mundo, ontem, reduzindo os juros, porque graças a Deus não seguiu esta regra e, ao invés disso, talvez esteja reconhecendo que os juros, quando são altos demais, acabam agindo de forma contraproducente", comentou. O professor, no entanto, não acredita que o BC irá abandonar a cautela e reduzir agressivamente os juros.

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