Consumidor leva comida de boteco para casa

Consumidor leva comida de boteco para casa

Na crise, atacarejo reduz vendas para restaurantes, mas ganha consumidor final

Mônica Scaramuzzo, O Estado de S. Paulo

13 Setembro 2015 | 05h00

Em períodos de desaceleração da economia, a venda crescente nos atacarejos não chega a ser uma novidade. Mas, nos últimos meses, esses formatos de loja, que misturam atacado com varejo para oferecer preços mais baixos, registraram uma nova tendência de consumo. Com a crise apertando, comer fora de casa e fazer o “happy hour” tornaram-se artigos de luxo - o que não significa que os antigos hábitos tenham sido cortados de vez.

Por um lado, as empresas de “food service” (alimentação fora do lar) reduziram suas compras nos atacarejos. Ao mesmo tempo, esses canais têm atraído os consumidores que não querem abrir mão de certas regalias, como comer uma batata frita e tomar uma cerveja, por exemplo. O fato é que houve uma mudança no perfil de clientes desses formatos de loja. Enquanto restaurantes reduziram o tíquete de compras nos atacarejos, aumentou o fluxo de consumidores que voltaram a fazer estoque de produtos, incluindo os de limpeza, em tempos de inflação em alta.

Tradicionalmente, esses canais têm quatro perfis de clientes: os transformadores (food service, como pizzarias e lanchonetes), revendedores (mercearias e padarias), utilizadores (comunidades, como escolas e condomínios) e o consumidor final.

Levantamento feito pela bandeira Assaí, que pertence ao Grupo Pão de Açúcar (GPA), a pedido do Estado, mostra os dez produtos mais vendidos e os dez menos procurados em São Paulo e no Brasil, entre maio e julho deste ano, comparado ao mesmo período de 2014.

Na cesta dos dez produtos mais procurados, há itens básicos, como arroz, feijão, açúcar e óleo, mas também tem batata congelada, geralmente consumida fora de casa, além de produtos de limpeza, que têm prazo de validade maior, lembra Fabio Bentes, economista da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Segundo Belmiro Gomes, presidente do Assaí, as vendas de tradicionais produtos de happy hour, como a cerveja, por exemplo, além da muçarela e farinha de trigo (esses dois últimos, mais vendidos para pizzarias), caíram por conta da redução de fluxo de restaurantes e pizzarias. “Mas o cliente não deixa de fazer seu churrasco. Eles voltaram a fazer compras maiores, mas não querem abrir mão de consumir comida de boteco.” 

A rede Assaí apresentou crescimento de 25,7% das vendas líquidas no segundo trimestre, para R$ 2,4 bilhões, como reflexo, principalmente, do desempenho de vendas “mesmas lojas” acima de inflação e das nove novas lojas inauguradas nos últimos 12 meses. A rede prevê inaugurar sete lojas neste segundo semestre.

Comportamento parecido ocorre na Atacadista Roldão, atacarejo independente, com 21 lojas em São Paulo e faturamento de R$ 1,8 bilhão em 2014. Ricardo Roldão, presidente do grupo, diz que vendas de frios (muçarela e presunto) cresceram cerca de 20%. “Se o pessoal não come pizza fora, faz em casa.”

Rateio. Segundo Roldão, o consumidor alvo da rede é a classe C. “Muitos chegam em grupo e rateiam a conta.” A rede prevê atingir faturamento de R$ 2,1 bilhões neste ano e vai manter a abertura de três lojas - previstas para São José dos Campos, Atibaia e na zona norte da capital paulista. Em 2016, serão outras cinco lojas.

O Atacadão, do grupo Carrefour, informou que as vendas de produtos em embalagens fechadas ou peças inteiras (como frios) tornam-se opção mais barata que as embalagens fracionadas. Em 2015, a rede inaugurou sete lojas de autosserviço e duas centrais de distribuição e atacado. A empresa disse contar atualmente com 116 lojas e 22 centrais. 

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