Consumidor mais otimista, segundo a CNI

A posse de novos governos no nível federal e nos Estados, com expectativa de melhora da situação do País, pode explicar o franco otimismo da população neste momento

Editorial econômico, O Estado de S.Paulo

03 de janeiro de 2019 | 05h59

A posse de novos governos no nível federal e nos Estados, com expectativa de melhora da situação do País, pode explicar o franco otimismo da população neste momento. O Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (Inec), da Confederação Nacional da Indústria (CNI), por exemplo, mostra uma notável recuperação do ânimo das famílias, tendo atingido 114,3 pontos em dezembro, o maior valor desde março de 2013, situando-se bem acima da média histórica de 107,8 pontos e sendo, ainda, 13,7% superior ao índice registrado em dezembro de 2017.

A pesquisa revela que o indicador de expectativa com relação à inflação aumentou 1,8% e, de fato, segundo as últimas projeções dos analistas, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve ter fechado 2018 com variação inferior a 4%, abaixo da meta fixada para o ano. O indicador de desemprego subiu 1,1% e a previsão é de que o mercado de trabalho se amplie em 2019, particularmente no setor privado, depois do primeiro trimestre, quando o governo do presidente Jair Bolsonaro tiver definido sua política para o setor.

Contudo, as expectativas de aumento da renda pessoal (0,1%) e de situação financeira (1,1%) são modestas, sempre em dezembro de 2018 em relação a dezembro de 2017. O consumidor tem consciência de que será preciso tempo, talvez alguns anos, para a recomposição efetiva do nível de renda dos trabalhadores.

Já o indicador de expectativa de compras de maior valor ficou estável em comparação com novembro e está 2,5% abaixo do registrado em dezembro de 2017. Esse resultado está estritamente ligado ao indicador de endividamento, o único que mostra recuo em dezembro, com queda de 0,3%. Com dívidas a saldar, como resultado de compras anteriores, as famílias estão, naturalmente, restringindo as compras de eletrodomésticos, móveis ou itens mais caros, que são geralmente processadas pelo crediário.

Isso não quer dizer, no entanto, que o movimento comercial como um todo deva se retrair. Como nota a CNI, o otimismo com relação à evolução da economia favorece as compras pelo consumidor, especialmente de produtos do chamado ramo mole (confecções, moda infantil, tecidos e calçados, entre outros), além de alimentos. Isso é particularmente verdadeiro no que se refere às compras no período de festas de fim de ano.

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