Consumidor paga juros mais elevados

O governo manteve a taxa Selic, taxa básica referencial de juros da economia, em 21% ao ano, sem viés. Este patamar havia sido definido em reunião extraordinária do Comitê de Política Monetária (Copom), no último dia 14, quando a taxa passou de 18% para 21% ao ano. Como reflexo desse aumento, já é possível sentir tendência de alta nos juros ao consumidor em bancos, financeiras e lojas com vendas a prazo. De acordo com especialistas ouvidos pela Agência Estado, a tendência continua sendo de elevação dos juros e maior restrição ao crédito, embora a economia esteja desaquecida e a demanda, enfraquecida. Para o presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Alencar Burti, não há dúvidas de que haverá mais aumentos das taxas no crediário. Outra conseqüência, ainda segundo ele, é maior restrição ao crédito a fim de reduzir o risco de inadimplência.Por outro lado, o presidente da ACSP ressalta que as lojas não têm como repassar o aumento integral sem adotar novas práticas, uma vez que precisam se ajustar à realidade do consumidor. "Do contrário, não vendem e quem ganha é o concorrente." Entre as práticas a serem adotadas, ele cita o aumento dos prazos para que as prestações possam se encaixar no orçamento, pois a renda salarial não acompanhou a correção dos juros. O presidente da Associação Brasileira de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi), Ricardo Malcon, acredita que grande parte das financeiras - as que ainda não ajustaram suas taxas - devem fazê-lo a partir da primeira quinzena de novembro, quando a demanda por crédito deve ser maior. "Com o adiantamento da primeira parcela do 13º salário e as compras de Natal, a procura aumenta e os juros devem subir. Por enquanto, sem procura e com saldo em caixa, não há espaço."Segundo Miguel José de Oliveira Ribeiro, vice-presidente da Associação Nacional de executivos de Finanças (Anefac), vários bancos aumentaram as taxas nas operações de crédito, uma alta entre 0,50% e 0,60%, após a reunião extraordinária do Copom na semana passada. "Alguns elevaram as taxas além do efeito da Selic. A tendência foi de aumento nas operações mais baratas, como financiamento de veículos, enquanto as taxas maiores ficaram inalteradas."Em relação ao crediário, Miguel de Oliveira afirma que não houve alteração nas lojas com financiamento próprio, apenas nas que recorrem a terceiros. Neste último caso, a elevação média ficou entre 0,20% e 0,50%. Segundo ele, para não afastar o consumidor das compras, as lojas devem alongar os prazos assim que repassarem o aumento dos juros, principalmente dos bens duráveis.

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