Consumidor pode ganhar com queda dos juros

O Unibanco anuncia hoje uma redução de um ponto porcentual nas taxas de juros do cheque especial, que variam de 1,6% até 9,9% ao mês. A medida é reflexo da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de reduzir a taxa básica de juros - Selic - de 18,5% ao ano para 17,5%. A informação é do diretor de crédito do Unibanco, Rogério Estevão.Ele prevê ainda redução nas taxas de operações de financiamento de veículos e de leasing a partir de hoje. Rogério explica que esses empréstimos trabalham com margens pequenas entre a captação do dinheiro e o repasse ao interessado. Portanto, o reflexo da decisão do Copom sobre os custos tende a ser mais imediato, diz. O presidente da Anfavea, José Carlos Pinheiro Neto, também está otimista. Ele acredita que a queda da Selic trará um impacto grande no setor, à medida que 70% das vendas de automóveis são financiadas. De acordo com ele, a medida carrega também um impacto psicológico, já que reforça "a coragem do consumidor" em contrair novos financiamentos. Comércio tem opiniões diferentes O presidente da Federação do Comércio do Estado de São Paulo, Abram Szajman, diz que a queda da taxa Selic fará com que o governo pague menos juros para rolar a dívida pública. Mas segundo ele, isso não deve se refletir no crédito ao consumidor. Ele acredita em resistência das instituições financeiras em diminuírem os juros para o consumidorOs motivos, de acordo com Szajman, são a inadimplência alta, os encargos tributários e a ausência de uma tendência firme de juros de longo prazo. Motivos externos também estão presentes: a expectativa de alta nas taxas no exterior e a elevação no preço do petróleo. Associação Comercial aposta em crescimento nas vendas Já o presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Alencar Burti, acha que a decisão do BC de reduzir os juros em 1 ponto porcentual e ainda manter o viés de baixa mostra segurança e atesta que os sinais da economia são positivos. Para Burti, as vendas a prazo deverão crescer entre 7% e 8% no próximo trimestre, a indústria vai continuar empregando, e as taxas de juros devem cair no crediário. Com isso, analisa, cai também a inadimplência, que tem sido fator de risco e inibidor da queda dos juros. O presidente da ACSP comemora e diz que a redução da taxa Selic criou um clima extremamente positivo para o segundo semestre.

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