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Consumidor recusa maquiagem de produtos

As denúncias sobre empresas que diminuem a quantidade ou o volume das embalagens de seus produtos sem correspondente redução nos preços - a chamada maquiagem de preços - sem notificar devidamente o consumidor aumentaram a consciência do público sobre essa prática. Quem fez a análise foi o diretor do Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (Dpdc), Roberto Freitas e a diretora de estudos e pesquisas do Procon-SP - órgão de defesa do consumidor vinculado ao governo -, Vera Marta Junqueira.O Dpdc, órgão ligado ao Ministério da Justiça, tem a incumbência de punir indústrias que tenham lesado o consumidor, tendo aplicado multas de até R$ 1,5 milhão a empresas como Danone e Todeschini por maquiagem de preços em biscoitos. "O que pudemos notar foi que agora o consumidor não está mais atento só ao preço, mas também à quantidade de produto nas embalagens", disse Freitas.Marta faz a mesma afirmação, mas com uma ressalva. "A observação não foi feita por pesquisas, mas pode-se observar, nos meios de comunicação, as pessoas falando sobre como estão indignadas com esse problema", disse. Para ela, essa atitude demonstra uma nova consciência do consumidor com relação aos seus direitos.Empresas assumem compromissoOutra conquista obtida com o trabalho feito nas últimas semanas é o retorno ao padrão antigo. "A Associação de Indústrias de Biscoitos assumiu na Câmara dos Deputados, há 15 dias, o compromisso de voltar à padronagem anterior, de 200 gramas nos pacotes", informou o diretor do Dpdc.Marta afirma que, com as denúncias, as empresas preocuparam-se com a indignação dos consumidores. "Elas gastaram muito tempo e dinheiro para valorizar as suas marcas e perceberam que, com a maquiagem dos produtos, poderiam ter suas imagens prejudicadas", informou. "É importante que o consumidor seja avisado sobre mudanças nas embalagens, de modo que ele não se sinta enganado e passe, a partir daí, a comprar produtos de outras marcas."Amarildo Baesso, coordenador geral de supervisão e controle do Dpdc, alerta para a importância da fiscalização do consumidor sobre os produtos. "As empresas têm o direito de aumentar o preço ou diminuir a quantidade de produto nas embalagens", disse ele. "O nosso trabalho não é verificar isso, mas sim verificar se o consumidor foi devidamente informado ou se as alterações foram mascaradas para enganá-lo", completou.

Agencia Estado,

05 de outubro de 2001 | 14h40

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