Consumidor teme desemprego e se retrai

Comportamento afeta Índice de Confiança calculado pelo Ibre/FGV, que caiu 1,5% de junho para julho e acumula queda de 5.5% em 3 meses

FERNANDA NUNES , DANIELA AMORIM / RIO, O Estado de S.Paulo

26 de julho de 2012 | 03h11

O comportamento do mercado de trabalho está preocupando o consumidor. Apesar da estabilidade financeira das famílias, o receio de perder o emprego acaba limitando as compras, principalmente de bens duráveis, que comprometem o orçamento por um prazo maior. Ainda assim, a perspectiva é de melhora no segundo semestre, quando boa parte das dívidas já deve ter sido eliminada.

"Embora se sustente bem acima de sua média histórica, da mesma forma que a taxa de desemprego se mantém na mínima, a confiança dos consumidores começa a ceder de maneira mais evidente", ressaltou o analista da consultoria Tendências Rafael Bacciotti.

O Índice de Confiança do Consumidor (ICC), calculado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV) caiu 1,5% na passagem de junho para julho e acumulou queda de 5,5% nos últimos três meses.

Em julho, o consumidor demonstrou mais cautela na aquisição de veículos e eletrodomésticos do que no início deste ano. Não apenas porque receia perder a sua fonte de renda, como também por causa da inadimplência, que se mantém alta.

O ICC demonstrou que a expectativa de compra de bens duráveis nos próximos seis meses caiu 4,2% na passagem de junho para julho e atingiu o nível mais baixo desde fevereiro. Esse índice estava crescente desde janeiro mas, neste mês, foi revertida a sua trajetória.

"As medidas do governo de incentivo ao consumo já foram absorvidas em meses anteriores. Em julho, prevaleceu a cautela com a situação econômica do país e com o endividamento", argumenta a economista do Ibre/FGV Viviane Seda.

Prazo. A novidade no cálculo do ICC neste mês foi a inclusão da pergunta sobre o prazo da dívida dos consumidores. Para 77,3% dos entrevistados em 2,1 mil domicílios de sete capitais brasileiras, os parcelamentos vencem em até seis meses.

Com a retomada do ritmo da economia, a confiança do consumidor deve voltar a crescer e alimentar o ciclo de crescimento, acredita a economista do Ibre/FGV. "Os analistas pensavam que a compra parcelada tinha um prazo maior. Estamos com um cenário mais favorável do que o esperado. As contas podem ser mais rapidamente ajustadas", ressalta Seda.

Não só há otimismo com o segundo semestre, como o orçamento das famílias não chega a estar comprometido atualmente. O indicador relativo à situação financeira atual dos consumidores, um dos componentes do ICC, se manteve estável em julho, em 0,5%.

Também o Índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF), da Confederação Nacional do Comércio (CNC), captou alta de 0,1%. "A queda da taxa de juros diminuiu o custo da dívida, facilitando a vida do consumidor", afirmou o economista da CNC Bruno Fernandes.

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