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Consumidores antecipam compras de Natal

Num fim de ano de incertezas em relação aos rumos da economia do País, o varejo dá sinais de retomada e até de uma certa antecipação de compras para o Natal. Do comércio popular de rua aos shopping centers, é possível notar um aumento do fluxo de consumidores nas últimas semanas. Alguns por temerem novos reajustes de preços, outros para evitar o tumulto das compras de última hora. Ainda é pouco para apostar em uma explosão de consumo, mas o movimento já anima os comerciantes.A tradicional Rua 25 de Março, na região central de São Paulo, está recebendo em média 700 mil pessoas por dia, número que no sábado pode ter passado de 800 mil, segundo cálculos do diretor de Marketing da União dos Lojistas da 25 de Março e Adjacências (Univinco), Elias Ambar. Ele disse que os ´sacoleiros´, pessoas que adquirem produtos para revenda, esperaram o fim das eleições para ir às compras."Passado o momento de incertezas, os atacadistas começaram a aparecer e, somados ao movimento do consumidor comum, as ruas da região e as lojas estão lotadas", disse Ambar, que espera crescimento de 12% nos negócios neste ano. De acordo com ele, a alta do dólar provocou uma inversão nos negócios. Antes, 70% das vendas eram de mercadorias importadas e 30% de nacionais. Este ano ocorrerá o oposto.A farmacêutica Cibele Scarleti e a professora aposentada Maria Martha chegaram ontem à 25 de Março por volta das 10h, vindas de São Sebastião, no litoral paulista. "Neste ano antecipei as compras em mais ou menos 15 dias por receio de novos aumentos de preços", disse Cibele. "Também queremos fugir dos tumultos que sempre ocorrem perto do Natal."Elas vieram à procura de brinquedos, roupas, equipamentos eletrônicos e de ginástica, mas se decepcionaram com os preços. "Previa gastar perto de R$ 900, mas acho que não vou chegar a esse valor porque os preços não estão bons", afirmou Cibele.Acompanhada da mãe e das filhas de cinco anos e de cinco meses, a dona de casa Kátia Cristina Rizetto também antecipou compras "para escapar de aumentos e da loucura das compras de última hora." Nas sacolas carregavam bonecas, telefones de brinquedo e outros presentes para sete crianças da família.Atrasada em relação ao ano passado, quando veio a São Paulo em outubro, a vendedora Zélia Burigo decidiu esperar a situação eleitoral se acalmar para sair de Santa Catarina, onde mora, em busca de artigos de presente para revender. "Vou voltar sem comprar muito porque os preços não estão compensando."O gerente da loja de departamentos Armarinhos Fernando, José Derivaldo, disse que o movimento está melhorando nos últimos dias, mas acha que vai crescer ainda mais nas últimas semanas de dezembro, como ocorre todo ano. Apesar da alta do dólar, Cláudia Márcia dos Santos Alves, gerente da Mileno, que vende importados da China, disse que as vendas até agora estão similares às do ano passado.ShoppingO maior fluxo de consumidores também tem sido percebido em alguns shoppings centers paulistas. Nos de bandeira Plaza foi registrado movimento 30% maior nos últimos dois fins de semana, contou o diretor comercial da rede, Marco Antônio Charro. "Esperamos vender 10% mais do que no Natal do ano passado, e esse fluxo inesperado de clientes nos dá um ânimo extra", afirmou, acrescentando que é possível encontrar várias vitrines com descontos, mesmo que o mote das promoções não seja o Natal.A percepção do consumidor, entretanto, parece ser a de que os preços estão altos. "Vim ao shopping passear, mas se encontrasse algo por um preço bom, compraria. Só que tudo parece estar mais caro", disse o funcionário público Eupídio Ianella, que olhava as vitrines com a esposa - ambos de mãos vazias. Mesmo assim, o comportamento do casal já revela o interesse em adiantar as compras natalinas.A professora Jussara Plaça decidiu este ano, pela primeira vez, comprar todos os presentes da família antes de dezembro. "Talvez eu esteja pagando o preço do conforto, mas estou pesquisando mais e vou evitar fazer todas as compras numa só loja", explicou, enquanto comprava o presente do filho de 6 anos. "O brinquedo dele está mais barato nesta loja, mas paguei 25% menos pela boneca da minha filha em outro lugar."

Agencia Estado,

19 de novembro de 2002 | 08h41

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