Consumidores pessimistas com economia melhorando

O Índice de Confiança do Consumidor (ICC), elaborado pela Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomércio), caiu 2,7% em agosto, em relação ao mês anterior. A queda parece estranha, quando vários indicadores apontam melhora da situação econômica.

O Estado de S.Paulo

23 de agosto de 2012 | 03h06

De fato o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), o do Banco Itaú, a Sondagem da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e os dados de criação de empregos mostram todos uma melhora que tem como base a manutenção de um elevado nível de demanda, e até agora era essa perspectiva que sustentava o ritmo de outros setores de atividade econômica.

A queda registrada no ICC parece contraditar a evolução dos outros setores. A redução da inadimplência, como a do endividamento das famílias, deveria desembocar num maior otimismo.

A situação na União Europeia, que está longe de melhorar, de um modo geral não afeta os humores dos consumidores brasileiros. Seu efeito maior é sobre as empresas industriais, que temem enfrentar dificuldades para financiar suas atividades.

O crédito, que sofreu pequena restrição, voltou a ser muito aberto e parece haver consenso de que a taxa Selic acusará nova redução.

Neste quadro, os fatores que parecem levar os consumidores ao pessimismo nos parecem diferentes dos do passado recente.

O primeiro é, certamente, o receio de um retorno à inflação, por três motivos: deterioração das contas públicas em razão dos reajustes dos salários do funcionalismo; forte elevação do custo dos serviços; e um eventual reajuste do preço da gasolina.

Os consumidores estão também conscientes de que a volta do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) nos produtos beneficiados com sua redução vai elevar a pressão inflacionária, como se verificou no caso do IPCA-15.

Finalmente, apesar dos esforços do Banco Central para defender uma taxa cambial de R$ 2 por dólar, teme-se que não consiga isso, e assim os preços dos produtos importados contribuirão para elevar a inflação.

Mas talvez os consumidores considerem ainda que, nas negociações com os sindicatos operários, as empresas, e não apenas o governo, cheguem a ceder às pressões e aceitem reajustes salariais que terão de repercutir nos preços, num clima que poderá tornar-se muito tenso e reabrir a porta de uma nova onda hiperinflacionária.

Não acreditamos num quadro tão catastrófico, mas o pessimismo dos consumidores revela que vivem com essa hipótese.

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