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Consumir fora de controle pode ser sinal de doença

Ter uma vontade incontrolável de comprar e gastar dinheiro. Pior do que isso, comprar várias calças da mesma cor e modelo, gastar todo o dinheiro em pares de sapatos idênticos aos que já tem, adquirir roupas para deixar no armário e objetos que não têm a menor utilidade. Ou seja, comprar por comprar. E ainda aliar toda essa febre de consumo a uma sensação de angústia e mal-estar se a compra não for realizada. Estes podem ser os sinais de que o consumo se transformou em doença e precisa ser tratada. A oniomania - doença do consumo compulsivo - não depende de renda, mas de satisfação e alívio imediato ao se realizar uma compra. Para o oniomaníaco, não importa o que se está comprando ou a utilidade do objeto, mas acabar com a angústia causada pela ausência de consumo. A doença não pode ser caracterizada como vício, pois não causa dependência física, mas acarreta problemas familiares e também no bolso do paciente porque ele não consegue controlar seus impulsos e acaba endividado. De acordo com Daniela Sabbatini Lobo, psiquiatra do Ambulatório do Jogo Patológico e Outros Transtornos do Impulso (AMJO) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, a doença atinge em média dez mulheres para cada homem. Porém, ela alerta que este resultado é relativo, afinal mais homens que mulheres detêm o controle financeiro e, por isso, fica mais difícil saber se não conseguem controlar os gastos devido ao consumo compulsivo. Ela afirma que a doença não é fácil de ser diagnosticada. "Existe uma linha fina entre um comportamento de consumo considerado exagerado e a doença, entre o que é normal e o que não é normal dentro de um comportamento social." Doença associada a outros transtornosO oniomania também pode estar associada a outros transtornos psicológicos, como depressão, alteração repentina de humor, dependência de álcool e drogas, transtornos alimentares (bulimia, anorexia), entre outros. Embora o consumo compulsivo pareça um vício, a doença não pode ser caracterizada desta forma por não causar dependência física. O descontrole emocional leva o paciente a consumir a qualquer custo, mesmo que não tenha dinheiro para isso, e acaba se endividando. Para Sérgio Wajman, psicólogo e professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PÙC-SP), a oniomania também se caracteriza pela falta de equilíbrio. "A necessidade de consumir atende a razões irracionais. As explicações encontradas pelo paciente para explicar suas atitudes não se sustentam."Também para Sérgio Wajman, psicólogo e professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), diagnosticar a doença não é tarefa fácil. Ele faz o contraponto ao considerar a sociedade de consumo e a propaganda que incitam a comprar. "O apelo ao consumo utiliza de nossa capacidade de fazer escolhas irracionais, por isso é preciso considerar este aspecto ao diagnosticar a doença." Afinal, o consumo está diretamente associado ao status. Como tratar o consumo compulsivoDe acordo com Daniela Sabattini, como a doença ainda se encontra em fase de estudos, ainda não foi definido um tratamento eficaz com medicamentos. "Aconselha-se a fazer psicoterapia com profissionais especializados." Segundo ela, a família também pode tomar algumas atitudes, como tirar do oniomaníaco cartões de crédito e débito, talões de cheque e controle sobre seus bens. "Deixá-lo apenas com o mínimo de dinheiro possível." Em geral, o paciente entra em dívidas e o orçamento no vermelho acaba afetando a vida familiar. "Os familiares percebem no dia-a-dia que a pessoa não pára de comprar e que o exagero leva ao rombo financeiro a estourar no cartão de crédito e cheque especial", explica Sérgio Wajman. Esta seria a chance do consumidor compulsivo se perguntar o que está acontecendo. Segundo ele, a psicoterapia e o autoconhecimento ajudam.O que o consumidor compulsivo pode fazerOs consumidores compulsivos também podem seguir algumas dicas para tentar se controlar. Uma delas é deixar os cartões de crédito, talões de cheque e levar pouco dinheiro ao sair de casa. Assim, mesmo que queira comprar, o consumidor não terá como. Outra dica é ponderar se o produto que quer adquirir está dentro de seu orçamento e se realmente precisa dele. Também é aconselhável, antes de realizar uma compra, pensar dois ou três dias e evitar ao máximo decidir por impulso.

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