Nilton Fukuda/ Estadão
Nilton Fukuda/ Estadão

Consumo anual de combustíveis cresce pela primeira vez desde o início da pandemia

Demanda por diesel, gasolina e etanol já é quase 5% mais alta do que no ano passado, considerando o período de janeiro até abril; no entanto, setor espera recuperação completa só no fim do ano

Fernanda Nunes, O Estado de S.Paulo

01 de julho de 2021 | 12h00

RIO - Depois de uma queda ao longo do último ano, o consumo de combustíveis voltou a crescer no Brasil. Pela primeira vez desde fevereiro de 2020, no início da pandemia de covid-19, as vendas das distribuidoras para os postos de abastecimento subiram no acumulado do ano, em relação a igual período de 2020. Do início deste ano até abril a demanda subiu 4,7% em relação ao mesmo período de 2020, de acordo com as estatísticas mais atualizadas da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Até março, o saldo ainda era negativo, em 2% na comparação com o mesmo intervalo do ano passado.

As vendas foram puxadas pelo comércio de óleo diesel, que, sozinho, avançou mais que o dobro da média do mercado total de combustíveis, 10,7%. O consumo do produto, de fato, já vinha crescendo desde o ano passado, em decorrência da maior demanda do agronegócio. O que mudou, desta vez, foi a retomada do consumo também por gasolina e etanol hidratado para veículos de passeio. Com essa alta, junto com a do diesel, o mercado total de combustíveis conseguiu reverter a curva negativa no ano e voltou a crescer em abril.

A flexibilização das medidas de isolamento contra a covid-19 contribuiu para essa recuperação. Em abril do ano passado, as restrições eram muito mais severas que as atuais, o que fez com que o consumo despencasse.

"Houve uma melhora relativa do consumo de derivados de petróleo. Em março e abril de 2020 a queda foi muito brusca. Agora, o consumo está mais próximo do nível pré-pandemia. Mesmo assim, está longe do observado em 2019, o que indica que ainda não temos uma recuperação da economia", afirmou Rodrigo Leão, coordenador técnico do Instituto de Estudos Estratégico de Petróleo e Gás Natural (Ineep).

Luciano Losekann, especialista em petróleo e gás da Universidade Federal Fluminense (UFF), destaca a comparação estatística favorável ao resultado. "No início do ano, a comparação com 2020 pegava o período anterior à pandemia. Mas, em abril, os meses de 2020 mais impactados pelo coronavírus já entram na comparação”, diz.

O volume de gasolina vendido pelas distribuidoras cresceu 2,5% em 2021. Em abril, foi de 2,7 bilhões de litros, 17% superior à de igual mês do ano passado, mas ainda 16% abaixo de abril de 2019, antes da pandemia. Já o comércio de etanol avançou 1% nos primeiros quatro meses do ano, comparado a igual período de 2020. Apenas em abril, subiu 25%, para 1,5 bilhão de litros. Em relação ao mesmo mês de 2019, no entanto, está 17% mais baixo.

Até o fim do ano, a expectativa é de uma recuperação completa das perdas, segundo Losekann. "O consumo de diesel já ultrapassou o de pré-pandemia, por conta da movimentação de cargas, principalmente pelo agronegócio. Já a mobilidade individual e a demanda por gasolina e etanol, não. Mas, sem dúvida, isso vai acontecer até o fim de 2021", afirmou.

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