Basico.com/Divulgação
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Consumo consciente movimenta ações de empresas de moda na Black Friday

Em busca de fidelizar clientes para além do preço, marcas incentivam reflexão sobre consumo

Talita Nascimento, O Estado de S.Paulo

23 de novembro de 2018 | 13h44

Quando se fala do motivo das compras da Black Friday, aproveitar os altos descontos está no topo da lista, com 73% das razões para comprar, de acordo com pesquisa do Boa Vista SCPC sobre hábitos de consumo na sexta-feira de promoções. Apesar disso, há lojas que apostam em consumo consciente, preços transparentes e sustentabilidade para atingir outros clientes nessa data.

Esse é o caso de empresas de moda como a Basico.com e a Farm. As marcas não ignoraram a Black Friday, mas buscaram maneiras diferentes de entrar em promoção. No caso da Farm, além dos descontos, a loja reverterá parte dos valores para o reflorestamento na Amazônia e na Mata Atlântica. Por isso, a ação leva o nome de Green Friday.

Já na intenção de gerar reflexão sobre o preço pago em seus produtos, o Basico.com promove pela segunda vez a possibilidade dos clientes escolherem entre três preços para pagar. Nas peças que entraram na produção, o consumidor pode optar pelo preço atual, preço mínimo, ou o preço de custo. 

De acordo com a empresa, o preço atual cobre custos de produto, transporte, armazenamento, impostos, equipe e comunicação, além de permitir a empresa crescer e investir em novas modelagens e materiais; o mínimo é o praticado quando há necessidade dar espaço no estoque para novas peças; e o preço de custo é aquele que não cobre os custos de equipe, infraestrutura, tecnologia e comunicação, mas que a loja pratica nessa época do ano como um presente para os clientes.

"Para nós o Black Friday era uma época de mal humor, porque a marca não estava ancorada em sazonalidade e no calendário típico da indústria", conta Daniel Cunha, um dos fundadores e presidente da Básico.com. Ele conta que a opção da empresa foi uma forma de encarar melhor a data de promoções, respeitando os valores da marca, que é ligada ao consumo consciente e à história das peças que produz.

No último ano, 93% dos clientes da loja optaram pelo preço de custo no site. "Foi 7% a menos do que esperávamos", diz Daniel. Ele explica que não se criou uma ilusão em relação ao comportamento das pessoas, já que essa é uma data propícia para se aproveitar preços baixos. Logo, a marca estava preparada para esse resultado, mas o foco da ação foi gerar reflexão e criar vínculos com os clientes

Fernanda Simon, diretora executiva do Instituto Fashion Revolution no Brasil, que trabalha na área de consumo consciente, acredita que essas ações são positivas. Ela acredita que a Black Friday também pode ser utilizada para repensar a forma como se consome e que há uma oportunidade de ressignificação dessa sexta-feira. "É interessante as marcas usarem da Black Friday para conscientizar seus clientes e criar vínculos sobre seus valores e processos", afirma.

Em relação ao que se chama greenwashing, prática de empresas que utilizam valores ambientalistas apenas para ganhar mais clientes e aumentar os lucros, sem haver, de fato, compromisso com a sustentabilidade, Fernanda considera que há muita proximidade entre essa apropriação e ações efetivas. "Claro que existe uma linha tênue, mas é possível usar a visibilidade da data para mostrar que cada produto carrega boas histórias, impactar o meio ambiente e a vida das pessoas", afirma.

Em anos anteriores a ação mais famosa nesse sentido foi da marca de roupas Patagônia, dos Estados Unidos, que doou 100% dos seus lucros para causas do meio ambiente na Black Friday de 2016. Para esse ano, a marca não terá ações especiais para a data. Outras marcas também decidiram não participar da data este ano, defendendo questões de sustentabilidade e alegando a prática de preços justos o ano todo. Alguns exemplos aqui no Brasil são a Vert Shoes, loja online de sapatos e a Oriba, loja de roupas.

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