Consumo das famílias cresce, mas perde força

Um dos pilares que sustentaram o crescimento econômico dos últimos anos, o consumo vem desacelerando desde 2011

ANTONIO PITA / RIO, O Estado de S.Paulo

31 de agosto de 2013 | 02h13

Fiel da balança na política de crescimento econômico do governo federal desde 2008, o consumo das famílias no segundo trimestre de 2013 confirmou a tendência de desaceleração com uma taxa de 0,3% na comparação com os três primeiros meses do ano. Apesar da alta, a 39.ª consecutiva, o segmento vem perdendo força no PIB desde o terceiro trimestre de 2011, indicando o esgotamento do modelo de crescimento pautado pelo consumo.

"Na crise, o mercado interno salvou o PIB, agora a gente está tendo um movimento inverso", resume o economista Fábio Bentes, da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). "Isso mostra que estímulos ao consumo não estão mais presentes."

Rendimento. Em 2010, ápice da política de incentivos ao consumo implementada pelo governo federal, o indicador bateu em 6,9%. Segundo os dados divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no acumulado de 12 meses, o consumo das famílias registra um aumento de 1,9%. O maior impacto é a desaceleração do crescimento da massa salarial real dos trabalhadores, que cresceu 2,1%, um ritmo menor que o registrado nos anos anteriores.

"Se o rendimento das famílias não subir igualzinho à inflação, você vai ter um impacto para baixo", explicou a coordenadora de Contas Nacionais, Rebeca Palis. O endividamento das famílias e o encarecimento do crédito, após a elevação da taxa de juros básica (Selic), hoje em 9%, também pesam sobre o desempenho do consumo.

Acompanhada de uma alta nos investimentos, a desaceleração no consumo pode ser positiva, segundo o economista David Rees, da consultoria canadense Capital Economics. "O lado positivo é que a economia está se reequilibrando", avalia Rees, em relatório enviado a investidores. "O investimento está ganhando peso na economia brasileira."

Serviços. A redução no ritmo de consumo das famílias também afetou o setor de serviços, segundo o economista Fábio Bentes. Os resultados indicam um "descolamento" entre o setor e o PIB, que desde o terceiro trimestre de 2012 registravam resultados semelhantes. No segundo trimestre deste ano, o setor cresceu 0,8% na comparação com o trimestre anterior. O resultado foi puxado, sobretudo, pela alta "surpreendente" de 1,7% no comércio - a maior desde 2010.

"Sem o comércio, o resultado ficaria em 0,5%. É muito ruim e este é um setor que responde por dois terços do PIB", ressalta Bentes. A deterioração do mercado de trabalho, que tem um ritmo menor de geração de vagas na comparação com 2012, se soma à redução no ritmo de crescimento da renda e do consumo das famílias. "Mesmo com o pior semestre em dez anos para as vendas do comércio, o consumo de bens evoluiu favoravelmente, mas não o de serviços."

Outro problema que atingiu o setor de serviços foi o segmento de intermediação financeira, que teve alta de 1,5%. / COLABOROU ALTAMIRO SILVA JÚNIOR

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