Evelson de Freitas/Estadão
Evelson de Freitas/Estadão

Consumo das famílias, investimento do governo e importações pesam no PIB

Para o IBGE, a deterioração dos indicadores de emprego e renda, o acesso restrito ao crédito e a elevada taxa de juros explicam queda no consumo 

O Estado de S.Paulo

31 de agosto de 2016 | 11h12

RIO - A queda de 0,6% no PIB do segundo trimestre de 2016 ante o trimestre imediatamente anterior pode ser explicada pelo consumo das famílias, que continua em queda (-0,7%); pelo consumo da administração pública, que variou -0,5% na comparação trimestral, após crescer 1,0% no primeiro trimestre; pela desaceleração nas exportações - que cresceram 0,4% no segundo trimestre após registrar 4,3% de alta no trimestre anterior - e alta nas importações, que cresceram 4,5%.

"O importante é que quem tem mais peso, que é o consumo das famílias, continua puxando pra baixo, a administração pública que também tem peso considerável trocou: crescia 1% e agora caiu 0,5%, e a importação com a exportação foi o que contribuiu mais negativamente nessa queda do PIB", explicou Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Segundo Rebeca, a queda no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro se intensificou por conta da deterioração nos serviços. "(O PIB) Vai depender um pouco desse comportamento dos serviços, porque têm um peso imenso na economia brasileira, pesam mais de 70%. Claro que alguns serviços são atrelados à indústria. Mas tem também consumo das famílias e administração pública, que pesam", lembrou Rebeca.

A queda de 0,8% no PIB de serviços no segundo trimestre ante o primeiro trimestre do ano é a sexta taxa negativa consecutiva. Na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior, os serviços recuaram 3,3%, completando oito trimestres de quedas. "Foi muito influenciado pela parte que tem a ver com o consumo das famílias", apontou a coordenadora do IBGE.

Rebeca lembrou que as condições do mercado de trabalho permanecem desfavoráveis, com desemprego em alta e renda em queda, enquanto que a inflação permanece em patamar elevado. As famílias diminuíram consumo de serviços no Brasil e também no exterior, o que motivou a queda nas viagens e demanda por transporte de empresas aéreas internacionais.

O consumo das famílias recuou 0,7% no segundo trimestre ante o primeiro. Na comparação com o segundo trimestre de 2015, a queda foi de 5,0%.

O consumo do governo também ajudou a derrubar os serviços. O recuo nos gastos da administração pública foi de 0,5% ante o primeiro trimestre. Em relação ao segundo trimestre do ano anterior, o consumo do governo diminuiu 2,2%, a sétima taxa negativa consecutiva. Segundo Rebeca, é possível que nem a realização das eleições municipais este ano sejam capazes de ajudar o consumo do governo, como ocorre tradicionalmente.

"A questão fiscal dos Estados e municípios deve fazer as eleições pesarem menos no PIB este ano", avaliou a coordenadora. / DANIELA AMORIM, MARIANA DURÃO, MARIANA SALLOWICZ E NATHÁLIA LARGHI

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