Consumo das famílias segura queda do PIB; indústria cai forte

Gastos dos brasileiros continuam aumentando e sobem 0,7% no 1º tri; comércio exterior também tem queda

09 de junho de 2009 | 13h23

O consumo das famílias brasileiras manteve a expansão no primeiro trimestre do ano e segurou a queda do Produto Interno Bruto (PIB) no País no período. Segundo os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os gastos das famílias cresceram 0,7% no primeiro trimestre de 2009 em relação ao quarto trimestre de 2008 e 1,3 % sobre os primeiros três meses do ano passado. Na outra ponta, indústria e comércio exterior foram os setores mais atingidos pela crise econômica mundial.

 

 

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O PIB da indústria caiu 3,1% nos primeiros três meses deste ano em comparação com o último trimestre de 2008 e, na comparação anual, a queda chegou a 9,3%. A maior queda foi a da indústria de transformação, de 12,8%, com destaque para os setores de máquinas e equipamentos, metalurgia, veículos automotores, mobiliários e vestuário e calçados.

 

A queda do setor de máquinas e equipamentos reflete a diminuição da intenção de investir das companhias brasileiras, o que foi comprovado pelos números da Formação Bruta de Capital Fixo divulgados nesta terça pelo IBGE. O indicador, que mostra os investimentos em produção, desabou 14% no primeiro trimestre em comparação com o mesmo período do ano passado. A queda é a maior da série da pesquisa do PIB nessa base de comparação.

 

No comércio exterior, as exportações brasileiras caíram 16% nos primeiros três meses de 2009 em relação ao período de outubro a dezembro de 2008 e 15,2% em relação ao primeiro trimestre do ano passado. Já as importações se reduziram ainda mais, com queda de 16,8% no primeiro trimestre deste ano em relação ao quarto do ano passado e 16% na comparação com os primeiros três meses de 2008.

 

O PIB, que representa a soma das riquezas produzidas pelo país, pode ser medido de duas formas, para um mesmo resultado. Quando o PIB é analisado pela ótica de quem produz essas riquezas, entram no cálculo os resultados da indústria (que respondem por 30% do total), serviços (65%) e agropecuária (5%).

 

Outra maneira de medir o PIB é pela ótica da demanda, ou seja, de quem compra essas riquezas. Nesse caso, são considerados o consumo das famílias (60%), o consumo do governo (20%), os investimentos do governo e de empresas privadas (18%) e a soma das exportações e das importações (2%). 

 

O consumo do governo continuou em expansão de 0,6% no primeiro trimestre em relação aos três meses imediatamente anteriores, e de 2,7% na comparação com igual período do ano anterior.

 

Serviços

 

Pela ótica da produção, o setor de serviços foi o único com variação positiva no 1º trimestre, com alta de 0,8% na comparação com o trimestre anterior e de 1,7% ante o mesmo período de 2008. A agropecuária registrou recuo de 0,5% e 1,6%, respectivamente.

 

O valor adicionado pelos dois setores mais a indústria teve redução de 1,5% em relação ao mesmo trimestre de 2008 e os impostos sobre produtos tiveram retração de 3,3%.

 

O setor de melhor performance dentro de serviços foi o chamado "outros serviços", que teve alta de 7%, e é formado por uma grande variedade de componentes. "São classificados como outros serviços, além daqueles prestados às empresas, os prestados às famílias, saúde e educação mercantil, serviços de alojamento e alimentação, serviços associativos, serviços domésticos e de manutenção e reparação", diz o comunicado do IBGE.

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