Clayton de Souza/Estadão
Clayton de Souza/Estadão

Consumo das famílias recua 1,7% e piora deve continuar

Economistas apontam o ajuste no mercado de trabalho como principal fator que deve continuar derrubando o consumo nos próximos meses, apesar do arrefecimento da inflação

Márcia De Chiara, O Estado de S.Paulo

01 Junho 2016 | 11h28

SÃO PAULO - Pressionado pela inflação, queda na renda e aumento do desemprego, o brasileiro teve dificuldade de ir às compras no primeiro trimestre deste ano. Entre janeiro e março, o consumo das famílias caiu 1,7% em relação ao quarto trimestre de 2015, quando a retração havia sido de 0,9% sobre o período imediatamente  anterior, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A perspectiva, na avaliação de especialistas de varejo, é de que esse cenário de piora do consumo das famílias continue nos próximos meses.

“No curto prazo, o consumo das famílias piorou na margem e enquanto prosseguir o ajuste no mercado de trabalho essa tendência deve continuar”, prevê Fábio Bentes, economista da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Fábio Bentes.

Essa também é a avaliação do economista da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomércio-SP), Vitor França. “Pelo menos até o final do primeiro semestre não vemos sinais de melhora.”

Os dados do IBGE mostram que na comparação com o primeiro trimestre de 2015 o consumo das famílias encolheu 6,3%. Foi  um recuo menor em relação ao que houve no quatro trimestre de 2015 em termos anuais (-6,8%). Mas essa relativa desaceleração está baseada em questões estatísticas, que é uma base fraca de comparação. Os motores do consumo,  no entanto, como crédito, renda e emprego, continuam rateado.

Pá de cal. Além dos juros elevados, da inflação alta, apesar da tendência de desaceleração, a pá de cal no consumo das famílias é, segundo os economistas, o forte ajuste no emprego. Bentes observa que no ano passado o Cadastro de Empregados e Desempregados (Caged) apontou o fechamento de 1,5 milhão de postos formais de trabalho. Para este ano, a projeção é de uma retração de 1,6 milhão.

Ele argumenta que as empresas ainda estão fazendo o ajustes dos quadros de funcionários e que as demissões devem continuar. “O ajuste no mercado de trabalho gera custos para as empresas e não é simultâneo ao tombo na atividade”, explica Bentes.

Na opinião do economista da CNC, as diferenças entre 2015 e 2016 são meramente estatísticas. “2016 será um repeteco de 2015”, diz . A CNC projeta para este ano queda de 3,9% para o consumo das famílias, ante 4% no ano passado sobre o anterior. Também o comércio deve encolher quase na mesma proporção do ano passado. Em 2015 o varejo caiu 8,9% e deve encolher 7,6% este ano, de acordo com a CNC.

Para França, da Fecomércio-SP, a recuperação do consumo das famílias está adiada para 2017. “A inflação anda nas alturas – apesar da desaceleração, os juros continuam elevados, a confiança do consumidor está em baixa e há uma piora do desemprego. Por enquanto, não existe nenhum fator favorável ao aumento do consumo no curto prazo”, diz o economista da Fecomércio-SP. A entidade projeta retração de 5% no faturamento real do comércio varejista na cidade de São Paulo para este ano, depois da queda de 6% no ano passado e do recuo de 3% em 2014 sobre o ano anterior.

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