Consumo de aço pode crescer 6% com desonerações

Fabricantes de máquinas e equipamentos para infra-estrutura e as siderúrgicas estão otimistas com os efeitos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) nos negócios. O consumo de aço no País poderá crescer além da estimativa inicial de 6% neste ano por causa das desonerações e previsões de investimento do PAC, diz o vice-presidente executivo do Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS), Marco Polo de Mello Lopes.De acordo com Mello Lopes, que preferiu não fazer uma nova estimativa de expansão do consumo, os investimentos previstos para os setores de energia, infra-estrutura e construção civil são um "sistema de realimentação", que pode induzir o crescimento do setor. A redução da alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) dos perfis de aço (produtos de pequeno porte, como cantoneiras, usados basicamente na construção civil) foi bem-vinda na opinião de Mello Lopes. Ele lembra que outros produtos siderúrgicos, como vergalhões, já haviam recebido tratamento similar.Segundo um executivo do setor, a redução do IPI não deverá isoladamente trazer grandes impactos no movimento das empresas, ainda que tenha sido positiva. A expectativa, diz ele, é de que o efeito favorável sobre setores que demandam aço, como construção civil, possa aumentar o consumo do produto.Construção civilA CNH, maior fabricante de bens de produção da América Latina, que produz máquinas para a construção civil pesada, vai investir US$ 12 milhões neste ano para ampliar entre 15% e 20% a capacidade de produção e melhorar os processos na fábrica de máquinas rodoviárias em Contagem (MG). "Vemos um cenário bem positivo", diz o presidente da empresa para a América Latina, Valentino Rizzioli.Segundo o executivo, o impulso no setor vai ocorrer sobre um nível de crescimento, que já foi muito bom no ano passado. A companhia encerrou 2006 com crescimento de 28% no número de máquinas rodoviárias vendidas. O desempenho foi tão expressivo que os negócios voltados para o segmento da construção civil pesada que, historicamente, respondiam por 40% do faturamento da empresa ante 60% das máquinas agrícolas, atingiram 50% no ano passado."Não ampliaremos os investimentos em função do PAC", diz Rizzioli. Ele não tem números exatos de quantas vagas serão criadas. "Mas, aumentando a produção, o emprego cresce."Já o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas (Abimaq), Newton Mello, pondera que o PAC não terá efeito positivo no setor industrial como um todo. Ele ressalta que o principal problema para a indústria, que é o real valorizado ante o dólar não foi atacado pelo PAC."Com o câmbio no nível atual, não conseguimos ser competitivos como calçados", exemplifica Mello. Mesmo nas máquinas, os benefícios do PAC recaem sobre determinados setores.

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