Consumo de energia cresce 9,3% em março

Indústria puxa alta; Foi a primeira vez, desde novembro de 2008, que o consumo industrial[br]ultrapassa 15 mil GWh

Nicola Pamplona / RIO, O Estado de S.Paulo

27 de abril de 2010 | 00h00

O setor industrial de energia puxou o consumo brasileiro de energia em março, quando o País teve uma demanda de 35,3 mil gigawatts-hora (GWh), 9,3% acima do mesmo período do ano anterior. Diante da recuperação dos segmentos de extração mineral e metalurgia, o consumo da indústria apresentou alta de 12% no período. No acumulado do trimestre, diz a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), a expansão é de 9,6%.

"Apesar de afetadas pela base de comparação baixa do ano passado, as estatísticas de março de 2010 confirmam a tendência já observada em meses anteriores de recuperação expressiva no nível de atividade da indústria e de robustez na expansão do consumo das famílias e do setor terciário", avaliam os técnicos da EPE na Resenha Mensal do Mercado de Energia, distribuído ontem.

Foi a primeira vez, desde novembro de 2008, que o consumo industrial ultrapassou a marca dos 15 mil GWh. As maiores altas, neste segmento, foram verificadas nos Estados de Minas Gerais (26%) e Espírito Santo (60%), particularmente afetados pela crise que atingiu mineradoras e siderúrgicas.

Pernambuco também teve forte crescimento, de 23%, com contribuição das atividades do Estaleiro Atlântico Sul e retomada das operações dos segmentos petroquímico e de alimentos e bebidas, diz a resenha da EPE. Mesmo porcentual foi registrado em Rondônia, diante das obras de construção das hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau.

Desempenho. "De modo geral, os dados de março refletem o bom desempenho da economia brasileira ? especialmente do crédito, da renda e da atividade industrial", analisou o especialista em energia da consultoria Tendências, Walter de Vitto. Residências e comércio registraram altas de 7,8% e 8% no mês, respectivamente. Altas temperaturas e crescimento da renda foram responsáveis pelo desempenho nos dois segmentos.

A EPE destaca que o crescimento do consumo residencial teve impacto ainda do aumento no número de residências atendidos pela rede de distribuição de energia. No fim de março de 2010, diz o boletim, havia 56,5 milhões de consumidores residenciais no Brasil, alta de 1,9 milhão de unidades em 12 meses.

"O aumento da posse de eletrodomésticos e a expansão de 3,5% no número de residências atendidas pelas distribuidoras também contribuíram para a expansão do consumo de eletricidade", completou Vitto, em relatório, no qual destaca também o efeito das temperaturas. De fato, segundo a EPE, as temperaturas médias do primeiro trimestre ficaram acima das registradas no ano passado em todas as regiões.

Esse fator, aliado ao aumento no consumo de eletrodomésticos foi responsável por uma série de problemas no fornecimento de energia durante o verão, com apagões localizados em grandes cidades brasileiras. No Rio, onde a situação foi pior, a temperatura média do primeiro trimestre de 2010 foi 1,2°C superior à registrada no mesmo período de 2009.

No acumulado de 12 meses, o consumo de energia no Brasil registra alta de 2%, com destaque para residências e comércio (6,9% e 6,4% respectivamente). A indústria, nessa base de comparação, ainda apresenta queda de consumo, de 2,1%, devido ao mau desempenho durante o primeiro semestre de 2009.

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