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Consumo de energia elétrica deverá crescer a uma taxa anual de 4,5%

O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, afirmou nesta quinta-feira que o consumo total de energia elétrica no País deverá crescer a uma taxa anual de 4,5% até 2030 e sair do patamar de 346,7 milhões de megawatts (MW) por hora registrado em 2005 para 1,095 bilhão de MW/h em 2030.Este cenário de crescimento da demanda, na verdade, é o tido como "referencial" pela EPE e leva em conta uma projeção de crescimento da economia mundial de 3% ao ano e de uma expansão anual de 4,1% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.Em um cenário de maior crescimento econômico, com o mundo se expandindo 3,8% ao ano e o Brasil, 5,1%, o aumento anual da demanda por energia elétrica saltaria para 5,2%, chegando a 1,3 bilhão de MW/h em 2030.No caso do quadro economicamente menos otimista - com o Brasil e o mundo crescendo 2,2% ao ano - a demanda doméstica por energia elétrica aumentaria a uma taxa anual de 3,1% e chegaria em 2030 na casa dos 775,7 milhões de MW/h.Durante a apresentação do estudo, o ex-presidente da Eletrobrás, Altino Ventura, afirmou que, se for confirmado o cenário referencial (que prevê consumo de 1,095 bilhão de MW/h em 2030), seria necessário acrescentar entre 4,5 mil MW a 5 mil MW médios novos ao sistema por ano, e isso, segundo ele, "é um grande desafio" que implicará em um aumento da necessidade de se gerar energia por termelétricas."Temos de planejar a inserção das térmicas. Se deixarmos para incluir o programa térmico depois que se esgotar o potencial hidrelétrico, estaremos cometendo um equívoco muito grave", disse Ventura, lembrando ainda que essa transição levará a um aumento do custo da energia.Tolmasquim, por sua vez, ponderou que a projeção de demanda para 2030 pode ser alterada, dependendo da eficiência de ações de redução do consumo de energia.ApagãoTolmasquim acrescentou que "no atual governo, o crescimento anual na geração foi de cerca de 4.000 MW por ano". Desse modo, ele afastou qualquer possibilidade de o País sofrer novo apagão, pelo menos até 2010. "Até 2010, a situação é totalmente segura. O risco de déficit é inferior a 5%, que é o porcentual tido como aceitável. E, para 2011, já teremos nova energia, que será contratada no leilão de outubro", disse, referindo-se ao leilão de energia nova marcado para o dia 10 do próximo mês.Boa parte da energia que entrou no sistema desde o início do governo petista é oriunda de projetos de usinas concedidas no governo anterior. A uma pergunta sobre isso, o secretário de Planejamento e Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, respondeu que, em 2003, o País tinha cerca de 8.000 MW médios de energia descontratada, ou seja, de usinas que não tinham contrato de venda. Por isso, disse ele, em um primeiro momento, o governo deu prioridade ao fechamento de contratos dessas usinas, para inserir as sobras no mercado antes de iniciar novos projetos.O estudo apresentado hoje pela EPE estima também que, no cenário mais provável, o consumo residencial médio mensal de energia no Brasil deverá aumentar dos 140 kW/h por domicílio registrado em 2004 para cerca de 320 kW/h em 2030, o que representa um crescimento de 128,5%. Apesar do salto, se essa previsão for confirmada, o consumo residencial brasileiro apenas "empatará", em 2030, com o consumo por domicílio verificado atualmente, por exemplo, em Portugal.UsinasTolmasquim, classificou como "remotas" as possibilidades de os projetos das usinas hidrelétricas de Salto Grande (com potência de 53 megawatts) e Baixo Iguaçu (350 MW), ambas no Paraná, serem oferecidos no leilão de energia nova marcado para o dia 10 de outubro. As duas usinas ainda não têm licença ambiental prévia e, além disso, estão com o processo de licenciamento paralisado por conta de ações judiciais.Tolmasquim reforçou, porém, que as outras quatro novas usinas que o governo pretende oferecer devem entrar no leilão. São elas: Barra do Pomba, no Rio de Janeiro, de 80 megawatts de potência; Cambuci (50 MW), também no Rio de Janeiro; Dardanelos (261 MW), no Mato Grosso; Mauá (361 MW), no Paraná. Assim, se a perspectiva do presidente da EPE for confirmada, será ofertada uma potência total de aproximadamente 752 MW em novas hidrelétricas no leilão.A EPE anunciou na quarta-feira, no Rio de Janeiro, que um total de 131 empreendimentos (incluindo as novas hidrelétricas) foram habilitados para participar do leilão, somando uma potência total de mais de 21 mil MW. Nessa lista há projetos de novas termelétricas, pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) e usinas hidrelétricas ou termelétricas que possuem concessão ou autorização, mas não têm contrato de venda da energia (as chamadas usinas "botox").Das 131 usinas credenciadas pela EPE, 38 têm uma espécie de habilitação provisória, e só participarão do leilão se, até o dia 25 de setembro, apresentarem documentos pendentes, dentre os quais o mais importante é a licença ambiental prévia.No leilão de outubro, os empreendedores disputarão contratos para vender energia às distribuidoras a partir de 2011. As usinas hidrelétricas selarão contratos de fornecimento por 30 anos e as térmicas, de 15 anos.BolíviaApesar de todos problemas com a Bolívia, Tolmasquim acredita que não há ameaças para o suprimento de gás natural ao Brasil. "Em momento algum a Bolívia ameaçou cortar o envio de gás. Um país precisa do outro. Nós precisamos do gás deles e eles precisam vender para nós", disse.O presidente da EPE ressaltou que, na terça-feira, o gasoduto Bolívia-Brasil atingiu, inclusive, a marca recorde de 31 milhões de metros cúbicos de gás transportados em um único dia, volume superior até ao da capacidade nominal do duto, que é de 30 milhões de metros cúbicos por dia.Matéra ampliada às 17h52

Agencia Estado,

21 de setembro de 2006 | 14h14

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