Consumo de gás ainda é inferior ao nível pré-crise, diz Comgás

Apesar da expectativa de crescimento do consumo em 2010,ainda não é possível prever quando o mercado voltará ao nível pré-crise

Wellington Bahnemann, da Agência Estado,

29 de abril de 2010 | 13h07

O volume de gás natural vendido atualmente pela concessionária Comgás (SP) ainda está inferior ao nível registrado no período pré-crise, afirmou o diretor de Finanças e Relações com Investidores da companhia, Roberto Lage. "O consumo industrial não retomou os volumes pré-crise. Dizemos que a crise retirou um ano da companhia", afirmou o executivo, durante em entrevista coletiva sobre os resultados da Comgás no primeiro trimestre deste ano.

 

No primeiro trimestre de 2010, a companhia apurou vendas totais de 1,118 bilhão de metros cúbicos (m), crescimento de 21,45% em relação ao mesmo período de 2009. Só que o volume é inferior aos 1,363 bilhão de m verificados no primeiro trimestre de 2008. O segmento industrial, que representa 80,1% das vendas da Comgás, consumiu 896,2 milhões de m nos três primeiros meses de 2010, alta de 27,61% sobre igual período de 2009, mas inferior aos 965,4 milhões de m? do primeiro trimestre de 2008. "As indústrias exportadoras, como a cerâmica, continuam sofrendo, ainda mais agora que o câmbio está apreciado", destacou o executivo.

 

Apesar da expectativa de que o consumo industrial apresente uma boa performance neste ano, principalmente no segundo e terceiro trimestres, Lage afirmou que ainda não é possível prever quando o mercado voltará ao nível pré-crise econômica. Como justificativa, citou o fato de 2010 ser um ano de eleições presidenciais, o agravamento da crise na Europa e alta da taxa de juros da economia, a Selic, que passou para 9,5% com a decisão do Banco Central de ontem à noite. "Vemos uma recuperação do mercado, mas esperamos, por exemplo, que a crise na Europa não afete o Brasil", ponderou.

 

Sobre a recuperação do mercado entre o primeiro trimestre de 2010 e igual período de 2009, o executivo afirmou que isso se deve a dois fatores: a recuperação da atividade econômica do País, sobretudo das indústrias voltadas ao mercado interno, e ao menor preço do gás natural, o que torna o insumo competitivo frente ao óleo combustível. "Tivemos duas reduções de tarifa em 2009, em maio (18%) e dezembro (5%). Além disso, contratamos 1,5 milhão de m/dia de gás mais barato no leilão da Petrobrás, o que permitiu trazer de volta os clientes que consumiam o óleo", justificou Lage.

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