Consumo de gás natural cai 25,1% em julho ante julho de 2008

Em 12 meses, consumo industrial no Brasil recuou 16,3%, veicular caiu 14,8%, e queima do insumo cresceu 99%

Wellington Bahnemann, da Agência Estado,

08 de setembro de 2009 | 12h14

O consumo de gás natural no Brasil segue em queda, impactado pela baixa demanda do setor termelétrico. Dados do Ministério de Minas e Energia (MME) mostram que a demanda total do insumo (incluindo o consumo térmico e industrial da Petrobras) recuou 25,1% em julho deste ano em relação ao mesmo período do ano passado, de 59,91 milhões de metros cúbicos por dia (m³/d) para 44,85 milhões de m³/d. Considerando apenas as vendas das distribuidoras de gás, o desempenho no período foi uma queda de 26,1%, de 50,42 milhões de m³/d para 37,21 milhões de m³/d. As informações constam no Boletim de Gás Natural de agosto deste ano.

 

De acordo com o MME, o consumo industrial de gás recuou 16,3% na comparação entre julho de 2009 e igual mês de 2008, de 35,68 milhões de m³/d para 29,86 milhões de m³/d - este número, porém, é 5,2% superior aos 28,36 milhões de m³/d apurados pelo MME em junho de 2009. Os volumes divulgados pelo ministério para a demanda industrial diferem dos publicados pela Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás) porque incluem o consumo das instalações da Petrobras, como as refinarias e as unidades de fertilizantes.

 

Segundo o ministério, o desempenho do mercado industrial de junho a julho deste ano reflete o "crescimento do consumo em cerca de 400 mil m³/dia em São Paulo e 200 mil m³/dia no Espírito Santo, em Minas Gerais e na Bahia". Isso confirma a tendência de retomada gradual da demanda pelo produto, que teve início em março deste ano, e que "foi favorecida pelos leilões de curto prazo realizados pela Petrobras". Nessas licitações, a estatal negociou volumes de gás a preços mais abaixo do que os contratos de longo prazo vigentes às concessionárias. Isso permitiu o retorno ao gás de indústrias que migraram para o óleo combustível este ano.

 

O MME também apurou recuo de 66,2% na demanda de gás para geração de energia elétrica entre julho de 2009 e igual intervalo de 2008, de 13,95 milhões de m³/d para 4,71 milhões de m³/d. Essa situação decorre do maior aproveitamento das hidrelétricas pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), em razão das fortes chuvas que estão caindo este ano no País e que estão mantendo o nível dos reservatórios das usinas em patamares elevados, o que permite ao ONS dispensar a geração térmica (mais cara) para garantir a segurança energética do sistema.

 

Adicionalmente, o MME registrou queda de 14,87% no consumo de gás natural veicular (GNV) entre julho de 2009 e igual mês de 2008, para 5,55 milhões de m³/d. Nesse período, a demanda do setor comercial também recuou 6,6%, 560 mil m³/d. Porém, as vendas para as residências cresceram 2,4%, para 850 mil m³/d, e para cogeração, 21%, alcançando 2,65 milhões de m³/d.

 

Entre as concessionárias, a Comgás segue na liderança de vendas com 12,41 milhões de m³/d comercializados, acompanhada pela CEG (RJ), com 5 milhões de m³/d, pela Bahiagás, com 3,15 milhões de m³/d, pela CEG-Rio, com 3 milhões de m³/d, e pela Gasmig (MG), com 1,67 milhão de m³/d.

 

Consta no boletim também que a produção nacional de gás recuou 3,94% entre julho de 2009 e igual intervalo de 2008, de 60,39 milhões de m³/d para 58,01 milhões de m³/d. Segundo o MME, a queima do insumo cresceu 99%, de 6,07 milhões de m³/d para 12,08 milhões de m³/d - esse volume, porém, é 9,5% inferior aos 13,36 milhões registrados em junho de 2009.

 

"O volume (de queima) continuará mais alto do que o usual até que haja aumento do aproveitamento do gás associado produzido nas plataformas que entraram em operação recentemente", informou o ministério. A expectativa do governo é de que a queima do insumo diminua a partir de agosto com a conclusão das obras de infraestrutura de escoamento de gás da plataforma P-51, que foi iniciada em 24 de agosto último, e do campo de Jabuti.

 

Com isso, a oferta de gás nacional ao mercado recuou 32,68% entre julho de 2009 e igual mês de 2008, de 29,9 milhões de m³/d para 20,14 milhões de m³/d. Na mesma linha, a oferta de gás importado diminuiu 17,5% no período, de 29,9 milhões de m³/d para 24,72 milhões de m³/d. Destaque para a retração de 21,9% na importação do insumo boliviano, de 31,27 milhões de m³/d para 21,9 milhões de m³/d.

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