Consumo de saquê no País deve crescer 50% em 2007

Antes restrito às lojas de importados e ao cardápio de restaurantes orientais, o saquê - bebida oficial do Japão - começa a se popularizar no Brasil. O País já ocupa a 5ª no ranking dos países que importam a bebida, produzida a partir da fermentação do arroz. Segundo a Tradbras, importadora do saquê japonês Hakushika, o consumo aumenta 40% a cada ano e pode crescer até 50% em 2007. A Sakura, maior produtora de molhos líquidos do Brasil, entrou há menos de um ano no mercado de saquês. A empresa fabricava a bebida apenas para uso culinário e em maio de 2006 lançou um linha para consumo em bares e restaurantes. O lançamento trouxe aumento de 50% nas vendas. Para impulsionar as vendas, os fabricantes e importadores querem conquistar novos públicos e regiões. A Hakushika, que fabrica saquês no Japão desde 1662, foi responsável por 63% do saquê trazido ao Brasil em 2006 - cerca de 70 mil litros. Em janeiro, a empresa enviou ao País o diretor de comércio exterior, Susumu Hamabe. A expectativa é que, em cinco anos, o Brasil alcance os EUA e fique atrás somente do Japão. "Quero ser o Johnny Walker do saquê", afirma Hamabe.A estratégia dos japoneses é divulgar o produto no Nordeste e no Norte, onde é menos conhecido, e atrair consumidores com maior poder aquisitivo, distribuindo a bebida para empórios e tabacarias. "Queremos explorar o mercado de luxo, que não pára de crescer", explica o gerente de marketing da Tradbras, Celso Ishiy. Deve ser fechada uma parceria com a rede Pão de Açúcar, que irá oferecer o produto a seus clientes.O interesse pelo saquê cresceu nos últimos quatro anos, afirma Ishiy. "Antes, só vendíamos para a comunidade nipônica." Restaurantes e bares são o segmento que mais cresce: são 25% dos compradores do Hakushika e 90% da Sakura. A popularização da "saqueirinha", caipirinha à base de saquê, também colaborou. O teor alcóolico reduzido da bebida, bem menor que o da vodka, atrai público, principalmente o feminino, diz o diretor de desenvolvimento da Sakura, Roberto Ohara. Segundo ele, os novos consumidores de saquê são jovens, com grau de instrução e poder aquisitivo elevados. Pensando nesse público, o restaurante paulista Jam Warehouse inaugurou uma "saqueria". Uma sommelier ajuda os clientes a combinar a bebida com pratos da casa. "As pessoas não bebem o saquê só para acompanhar o sushi: querem saber a origem e as melhores combinações", afirma a sommelier Flávia Morare. O consumo de saquê no restaurante passou de 200 para 400 garrafas/mês.

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