Consumo deve crescer, mas abaixo de 7% ao ano, diz Coutinho

Durante evento em São Paulo, presidente do BNDES afirma que taxa deveria se estabilizar em torno de 6,5%

Ricardo Leopoldo e Célia Froufe, da Agência Estado,

23 de julho de 2008 | 10h48

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, salientou, nesta quarta-feira, 23, que é muito importante que o consumo interno continue a crescer no Brasil. Ele ponderou, no entanto, que essa expansão deve ser inferior às taxas de 7% ao ano verificadas nos últimos anos e que deveria se estabilizar em torno de 6,5%. Ele fez essas afirmações durante o Fórum CPFL Energia - Crise Financeira Internacional e Crescimento da Economia Brasileira, realizado pelo jornal Valor Econômico, em São Paulo.   Veja também: De olho na inflação, preço por preçoEntenda a crise dos alimentos  Entenda os efeitos da crise nos Estados Unidos Cronologia da crise financeira    Ele enfatizou que a taxa de desemprego pela primeira vez registrou um porcentual abaixo de 8% em um mês de maio e que os investimentos seguem como um item muito importante para o País e o mercado de trabalho. "Apesar dos dados positivos, estamos longe de um período de estresse no mercado de trabalho", disse, referindo-se ao fato de que a despeito dos números bons de emprego não há ainda um gargalo de mão-de-obra que gere preocupações.   Para ele, estes fundamentos explicam o porquê de os investimentos estarem crescendo 2,5 vezes a mais do que o PIB. "É isso que tem permitido que a capacidade produtiva permaneça à frente da demanda", comentou, acrescentando que os investimentos realizados nos dois últimos anos já começaram a maturar e mantêm a economia em um nível de capacidade alto.   O presidente do BNDES projeta que a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) encerre este ano em 18,3% do PIB, acelere para 19,7% no próximo ano e atinja 20,9% em 2010.   Coutinho alertou ainda que o Brasil não pode esquecer a lição do passado e precisa ter como objetivo o aumento firme da poupança doméstica. "A poupança externa é bem-vinda mas não podemos nos esquecer da relevância da doméstica", afirmou.   O País registra hoje déficit em conta corrente e o presidente do BNDES já mostrou preocupação com a possibilidade de essa rubrica atingir 1,5% do PIB. Segundo ele, o governo atuaria caso isso viesse a acontecer.     Crise nos EUA   Coutinho afirmou que a crise econômica dos Estados Unidos deve ser mais prolongada do que se imagina, pois ocorreu um recrudescimento há poucas semanas e os problemas enfrentados pelo sistema bancário são muito sérios. "Contudo, os efeitos da crise sobre a Ásia serão limitados. A China ultrapassou, nos últimos 20 anos, todas as crises, sem falar bom dia à elas. A China pode desaquecer um pouco, pois uma expansão de 12% do Produto Interno Bruto (PIB) diminuir para crescimento de 9% é plausível."   Segundo o presidente do BNDES, a crise nos Estados Unidos trará algum efeito de redução na expansão da Europa, o que deve moderar a expansão global. Na sua avaliação, no entanto, este desaquecimento internacional deve ser favorável ao Brasil por dois fatores: moderar a pressão inflacionária sobre commodities e, mesmo com menor velocidade do ritmo do PIB mundial, o País deve apresentar uma velocidade de expansão ainda razoável. "Desde o início do processo de estabilização (1994) o Brasil enfrentou todas as crises e se saiu bem. O atual choque também será ultrapassado", disse.   Coutinho destacou que o governo está mobilizado para utilizar todos mecanismos afim de não permitir que os índices de preços subam. "As políticas monetárias e fiscal serão mobilizadas para manter a inflação sob controle."   O presidente do BNDES ressaltou que o Brasil vive, nos últimos anos, um período muito favorável de expansão da economia e estabilidade de preços que foi sustentado por alguns elementos - mercado de crédito em expansão, mercado de capitais rigoroso, setor privado apresentando bons resultados e reinvestindo parcela significativa de sua rentabilidade, além da melhor distribuição de renda, que propiciou o incremento do mercado doméstico sobretudo com a expansão das vendas de bens duráveis e não duráveis.

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