Consumo elétrico bate novo recorde

Em fevereiro, carga atingiu 69,397 mil megawatts médios, com alta de 7,8% ante o mesmo mês de 2013

Wellington Bahneman, O Estado de S.Paulo

13 de março de 2014 | 02h07

RIO - Em meio ao baixo nível dos reservatórios das hidrelétricas, o Brasil continua contabilizando níveis recordes no consumo de energia. Ontem, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) informou que a carga de energia atingiu 69,397 mil MW médios em fevereiro, um crescimento de 7,8% em relação a igual mês de 2013.

Incluindo a carga de Manaus (AM), incorporada ao Sistema Interligado Nacional (SIN) em julho de 2013, a expansão foi de 9,3%, alcançando expressivos 70,360 mil MW médios de demanda de energia.

O forte crescimento não é atribuído pelo operador a um possível aquecimento da economia. A expansão da demanda decorre, sobretudo, do clima. As altas temperaturas deste verão têm impulsionado o uso dos sistemas de refrigeração, o que se reflete no consumo de energia.

Esse fator influenciou no consumo das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, que representam 78% da demanda do País. O maior número de dias úteis em fevereiro também contribuiu para o aumento - em 2013, o carnaval foi em fevereiro, enquanto em 2014 foi em março.

A carga de energia, que inclui o consumo de energia e as perdas técnicas do sistema, cresceu em todas as regiões, especialmente no Sul, onde a expansão foi de 12%, e no Norte, que teve alta de 28% (incluindo Manaus). Além do efeito climático, o forte aumento da demanda na região Sul se explica pelo bom desempenho da agroindústria, segundo o operador.

Reservatórios. Apesar do forte consumo de energia, os reservatórios do subsistema Sudeste/Centro-Oeste dão os primeiros sinais de recuperação. Em 11 de março, o nível de armazenamento nas regiões era de 35,7%, o que representa um ganho acumulado de 1,1 ponto porcentual em março. A situação ainda é crítica e não permite afastar o risco de racionamento.

Os reservatórios do Norte estão com a situação mais confortável, operando com 82,7% da capacidade. Por causa disso, a região tem exportado energia ao resto do País. No dia 11, o Nordeste recebeu 2,525 mil MW médios do Norte, e o Sudeste, 2,017 mil MW médios, o que tem ajudado a manter o nível dos reservatórios dessas regiões. O Sul ainda enviou 558 MW médios ao Sudeste.

A pequena melhora no nível dos reservatórios decorre da recuperação das chuvas no começo de março. Ainda assim, a geração das termoelétricas tem sido intensa para reduzir a pressão sobre as hidrelétricas.

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