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Consumo industrial de energia está abaixo de demais segmentos

O consumo de energia elétrica pelo setor industrial está bem abaixo do registrado nos demais segmentos da economia, conforme dados preliminares divulgados nesta segunda-feira pelo presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim. Segundo a EPE, nos primeiros seis meses do ano a indústria consumiu o equivalente a 75.625 gigawatts por hora (GW/h) com aumento de 2% em relação a igual período de 2005. O consumo total no País somou 171.982 GW/h, com aumento de 3,1% sobre a primeira metade do ano passado. Ainda segundo a EPE, as residências registraram aumento de 3,5% no consumo no semestre passado (em relação a igual período do ano passado), no total de 42.849 GW/h, enquanto a área comercial registrou aumento de 4,3% (27.879 GW/h). Os demais segmentos (rural, setor público, iluminação, autoprodução, entre outros), registraram variação de 4,4%, com consumo de 25.628 GW/h.O fraco desempenho da indústria foi mais acentuado no segundo trimestre (abril a junho), conforme os dados da EPE. Nesse período, a variação em relação a igual período de 2005 foi de apenas 1,1%, enquanto a média nacional foi de 1,7%, com as residências crescendo 2,5%, o comércio de 1,6% e as "outras classes" de 2,4%, sempre em relação ao segundo trimestre de 2005. Os dados mais detalhados sobre o consumo de energia elétrica no primeiro semestre, inclusive de consumidores livres, devem ser divulgados na semana que vem. No primeiro trimestre (janeiro a março), a indústria cresceu 3,0% (sobre o primeiro trimestre de 2005) ante um consumo total de 4,5% no total.Fatores Tolmasquim atribuiu o menor ritmo de expansão no consumo de energia elétrica a cinco fatores, destacando a temperatura média mais amena no período de abril a junho. Segundo ele, nesse trimestre a temperatura média no País ficou cerca de 2 pontos abaixo do observado no mesmo período de 2005. Além disso, ele citou que algumas indústrias eletrointensivas fizeram manutenção e paralisação de sua atividades no período. O menor número de dias úteis e a Copa do Mundo, com redução nas atividades empresariais do País, também contribuíram para o consumo abaixo do esperado pela EPE. A continuada estiagem na região Sul também reduziu o consumo de energia, na avaliação do Tolmasquim.Apesar do fraco desempenho nos seis primeiros meses do ano, a EPE mantém a sua projeção de que o consumo de energia elétrica em 2006 deverá crescer entre 4,4% e 5% em relação a 2005. Esse cenário prevê que o Produto Interno Bruto (PIB) deverá crescer entre 4% e 4,5%, pelas projeções da EPE. A pesquisa Focus, realizada pelo Banco Central junto ao mercado financeiro, prevê uma variação de 3,60% para o PIB deste ano, conforme divulgado na manhã desta segunda-feira.Aumentos nas tarifasTolmasquim admitiu que os fortes aumentos nas tarifas de energia elétrica do setor industrial nos últimos três anos "podem" estar segurando o consumo de energia por parte desse segmento. Ele sustenta que ainda não há "dados" suficientes para dar mais consistência à essa afirmação, já que o movimento é recente. Em entrevista nesta segunda-feira, Tolmasquim divulgou dados mostrando que a indústria registrou aumento de consumo de energia elétrica abaixo da variação da produção industrial na primeira metade do ano. A EPE é a estatal responsável pelo planejamento de longo prazo do setor energético no País.IBGEConforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados na sexta-feira, o setor industrial aumentou a produção em 2,6% em relação ao primeiro semestre de 2005, enquanto o consumo de energia pela indústria aumentou 2,0% no mesmo período, conforme divulgado hoje pela EPE. Tradicionalmente o consumo de energia elétrica cresce em ritmo superior ao aumento da produção industrial, mas isso não está ocorrendo este ano. "É possível que esteja havendo aumento da eficiência energética pelo setor industrial, devido à equalização dos preços das tarifas do setor", admitiu Tolmasquim.Conforme dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), as tarifas do setor industrial cresceram em ritmo bastante acima da média nacional no atual governo. No final de dezembro de 2002, as tarifas médias da indústria estavam em torno de R$ 95,77 por MW/h e subiram para R$ 197,89 em maio, com acréscimo de 206,63%. Nesse período o índice oficial de inflação (IPCA, calculado pelo IBGE) sofreu variação de 26,47%. Ou seja, a indústria teve um aumento real (descontada a inflação) de 63,38% nas tarifas de energia elétrica no atual governo.Tarifa médiaConsiderando-se todos os tipos de contrato (residências, indústria, comércio, rural e governo), a tarifa média subiu 72,81%, passando de R$ 143,05 no final de dezembro de 2002 para R$ 247,20 por MW/h em maio, com aumento real (acima da inflação) de 36,63%. Esse movimento reflete a estratégia do governo de aliviar os reajustes para o consumidor residencial, onerando mais as indústrias, reduzindo o que os técnicos do governo chamam de "subsídio cruzado".O maior acréscimo nos preços no atual governo foi para o segmento de "consumo próprio". Em dezembro de 2002 as tarifas desse segmento estavam em R$ 102,86 por MW/h e sofreram aumento de 281,34% nos últimos três anos e meio. Descontada a inflação o aumento dessas tarifas aumentaram 122,45% e em termos nominais já estão praticamente iguais às tarifas médias praticadas pelas residências. Conforme dados da Aneel, a tarifa média das residências em maio estava em R$ 295,78 por MW/h, com aumento de 141,02% sobre os níveis vigentes em dezembro de 2002. Em termos reais, o aumento foi de 11,50% no período. Nesses preços não estão inclusos os impostos estaduais e federais, já que há regimes tributários diferentes para cada Estado da federação.Ao aumentar as tarifas da indústria e de autoconsumo em ritmo superior ao das tarifas residenciais, o governo garantiu a manutenção das receitas das distribuidoras, sem onerar muito o consumidor final. Um dos pontos mais criticados pelos técnicos do atual governo era quanto ao mix de reajustes, favorecendo a indústria em detrimento das residências. A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, quando ocupava a pasta de Minas e Energia, fez reiteradas críticas ao chamado sistema de "self dealing", em que algumas grandes indústrias eletrointensivas construíram usinas e fizeram contratos com distribuidoras do próprio grupo econômico. O governo anterior argumentava que esse tipo de contrato visava a atrair novos atores para ampliar os investimentos no setor de energia.Matéria ampliada às 20h08

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