'Consumo não vai impulsionar o PIB este ano'

Para a economista Monica Baumgarten de Bolle, professora da PUC-RJ, o investimento pode ser o fator de surpresa para viabilizar uma expansão do PIB um pouco superior ao esperado por especialistas atualmente. Mas, segundo ela, há limitações sérias para um crescimento de 2,5% neste ano, especialmente porque o consumo está fraco e há o fator da desconfiança de empresários e famílias, o que sugere que o PIB no 3.º trimestre deve apresentar um resultado estável.

Entrevista com

RICARDO LEOPOLDO, O Estado de S.Paulo

31 de agosto de 2013 | 02h14

Quais foram os destaques do PIB do segundo trimestre?

Há dois destaques pelo lado da oferta: agropecuária e construção civil. A agropecuária registrou um desempenho extraordinário, com os efeitos da safra agrícola recorde do primeiro trimestre que se estenderam para o segundo. Houve uma recuperação da construção civil, lembrando que de uns tempos para cá o setor veio de uma tendência ruim, no qual parece que o desempenho estava um pouco travado.

O que chamou a atenção pelo lado da demanda?

O grande fator foi mesmo o investimento, que cresceu 9% ante o segundo trimestre de 2012, uma alta extraordinária, um ritmo chinês, como disse o ministro Guido Mantega. Mas é preciso destacar que o investimento foi uma decepção no primeiro trimestre.

Mas o consumo das famílias continua fraco, não?

O consumo das famílias está crescendo num ritmo de 2%, e o melhor que podemos esperar para a segunda metade do ano é que esse ritmo seja mantido. Ou seja, o consumo definitivamente não vai ser um impulso considerável para o PIB neste ano. Então, para ter um desempenho melhor no decorrer do ano seria extremamente necessário que o investimento continuasse mostrando o mesmo fôlego na segunda metade do ano. Porém, não é isso o que a gente está observando nos indicadores disponíveis para a Formação Bruta de Capital Fixo.

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