Consumo terá mais R$ 41 bi em 2008

Fim da CPMF e correção de 4,5% na tabela de Imposto de Renda darão mais dinheiro para consumidor, diz Anefac

Andrea Vialli, O Estadao de S.Paulo

03 de janeiro de 2008 | 00h00

A festa do consumo deve continuar em 2008. A extinção da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) e a correção de 4,5% na tabela do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) devem injetar R$ 41,37 bilhões na economia brasileira, montante que deverá ser direcionado para o consumo. A estimativa, aproximada, é da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac).O cálculo leva em consideração os cerca de R$ 40 bilhões que deixam de ser arrecadados pelo Estado com o fim da CPMF. Leva em consideração também o R$ 1,375 bilhão que a Receita Federal considera renúncia fiscal, a partir da correção de 4,5% na tabela do IR para pessoas físicas. Com o reajuste da tabela, igual à meta de inflação para este ano, o desconto mensal nos salários ficará um pouco menor, o que deve resultar em mais dinheiro no bolso do contribuinte."O impacto maior será do dinheiro que deixa de ser pago em CPMF, que passa a circular na economia. Ao contrário das empresas, dificilmente o consumidor vai fazer a conta de quanto vai deixar de pagar, então a sobra deve ser imediatamente direcionada para consumo", explica Andrew Frank Storfer, vice-presidente da Anefac. Segundo ele, a extinção da CPMF pode permitir um aumento na renda do brasileiro de até R$ 190 por ano. O mais importante reflexo deverá ser o aumento do PIB em 2008. "Esse dinheiro deve contribuir para que o PIB brasileiro continue crescendo em uma taxa semelhante à que será verificada para o ano de 2007, ao contrário do que muitos previam", diz.Embora em menor proporção, a correção da tabela do IR também vai contribuir para a melhoria da renda. Isso porque o limite de isenção do IR subirá de R$ 1.313,69 para R$ 1.372,81, o que fará com que mais contribuintes deixem de ter o imposto retido na fonte. Os descontos mensais no salário para quem paga alíquotas de 15% e 27,5% também ficará menor. "Mas o impacto no consumo será pequeno em comparação com o fim da CPMF", aponta Storfer.CRÉDITO MAIS CAROApesar dos bons resultados, o comércio já prevê o aumento do custo dos financiamentos em 2008 por causa das medidas anunciadas ontem pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, para compensar o fim da CPMF. Entre elas está o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que os bancos devem repassar para os empréstimos.

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