Consumo vai bancar a recuperação da economia

O consumo das famílias e do governo deverá ser responsável por 100% do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo semestre deste ano. Da expansão de 2,2% no PIB prevista para o período, em relação ao segundo semestre do ano passado, o consumo das famílias deverá representar 1,4 ponto porcentual, aponta a consultoria MB Associados. O restante (0,8 ponto porcentual) virá do consumo do governo.

AE, Agencia Estado

07 de junho de 2009 | 08h48

O modesto crescimento de 2,2% do PIB, bancado pelo consumo e esperado para o segundo semestre, sinaliza que a economia deve se recuperar lentamente nos próximos meses, depois do baque sofrido na virada de 2008. A consultoria prevê que o PIB encerre 2009 com crescimento zero.

?Antes, essa composição do PIB era mais variada, mesmo em outras recessões, como a de 2001 ou a de 2003?, diz Sergio Vale, economista-chefe da MB. ?Isso é importante para mostrar que os investimentos e as exportações devem continuar sofrendo por causa da crise internacional?, observa.

O economista ressalta que a estrutura de consumo hoje tem mais canais de crescimento do que no passado. ?A renda e o crédito estão muito mais equilibrados hoje.? Segundo Sergio Vale, a renda não depende tanto da classe média, que foi a que mais perdeu na crise, e o crédito teve desenvolvimentos importantes nos últimos anos, como a queda da taxa de juros para níveis historicamente baixos e a expansão do crédito consignado.

Bráulio Borges, economista-chefe da LCA Consultores, diz que as taxas de juros menores não significam apenas redução do custo do crediário, mas também estimulam os bancos a ampliar os prazos de financiamento ao consumidor e a direcionar mais recursos para o crédito, em vez de simplesmente aplicá-los em títulos públicos.

As taxas de juros reais, que no fim do primeiro trimestre estavam em torno de 7,8% ao ano, deverão chegar em dezembro perto de 5% ao ano, supondo que a Selic caia para 9,25% até lá, conforme estimativa da LCA. ?Isso deverá gerar um estímulo importante para as vendas já no segundo semestre de 2009 e também em 2010.?

Não é por menos que a LCA projeta um desempenho no segundo semestre mais favorável para os setores do varejo mais sensíveis ao crédito e à confiança. Móveis e eletrodomésticos, por exemplo, devem ter crescimento de 1% em relação ao mesmo período de 2008, depois de uma queda estimada em 0,5% no primeiro semestre.

Nas concessionárias de automóveis e de veículos comerciais leves, o crescimento esperado é de 19,6%. Já nos depósitos de materiais de construção, cuja queda prevista nas vendas do primeiro semestre chega a 5,9%, deverá ocorrer expansão de 2,3%.

Os fabricantes de eletrodomésticos da chamada linha branca (fogões, geladeiras e lavadoras) e as montadoras de automóveis atribuem o bom desempenho das vendas ao corte do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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