Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

Consumo volta a ser motor da economia

Com inflação e juros mais baixos e melhora na renda, consumidor volta às compras; alta de 1,2% no indicador foi a terceira consecutiva

Daniela Amorim, Fábio Motta e Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

01 Dezembro 2017 | 22h57

RIO – A volta dos consumidores às compras foi o grande propulsor do crescimento econômico no terceiro trimestre do ano. O consumo das famílias cresceu 1,2% em relação ao segundo trimestre do ano, segundo os dados divulgados nesta sexta-feira, 1, pelo IBGE. Foi a terceira alta seguida. No segundo trimestre, a alta sobre o primeiro também foi de 1,2%.

O arrefecimento da inflação, a queda na taxa de juros e a melhora do mercado de trabalho, com geração de vagas elevando a massa de salários em circulação no País, estão entre os principais fatores que animaram as pessoas a gastarem mais. “Consumo das famílias é claramente o que puxa o crescimento do PIB”, resumiu Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE.

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Segundo o chefe da Divisão Econômica da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), Fabio Bentes, a liberação das contas inativas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), no primeiro semestre, ainda geram frutos: “A liberação de contas inativas do FGTS e PIS/Pasep não fizeram milagre, mas também ajudaram o consumo sim.”

Como resultado, o comércio foi destaque no terceiro trimestre. A alta de 1,6% do comércio na comparação com o segundo trimestre foi a maior entre todas as atividades nessa base de comparação, contribuindo para o avanço de 0,6% no PIB de serviços.

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Crédito. Bentes chamou atenção para as concessões de crédito para pessoa física, que estão reagindo mais rapidamente do que o crédito voltado para empresas. O movimento comprova que o consumidor voltou a gastar, mas que ainda há fragilidade nos investimentos na economia. “O País sai da crise pela via do consumo, o que deixa alguma preocupação sobre a sustentação do crescimento”, disse Bentes. “O crescimento na primeira metade do ano que vem será via consumo. A recuperação do investimento deve ficar para 2019 mesmo”.

Para a economista-chefe da ARX Investimentos, Solange Srour Chachamovitz, o crescimento do consumo das famílias refletiu efeitos pontuais – caso da liberação do FGTS e do arrefecimento da inflação. “O desafio é manter o ritmo”, disse.

A aposentada Ângela Alves, que ontem fazia compras na Saara, polo de comércio popular no Centro do Rio, demonstrou cautela: “Estou gastando menos, muito consciente da situação política e econômica do País. Vai ser um Natal bem realista, bem tropical, dentro das possibilidades do momento.” / COLABOROU MARIA REGINA SILVA

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