Conta corrente do balanço tem superávit e já é positiva em 12 meses

A conta de transações correntes do balanço de pagamentos do Brasil com o exterior registrou um superávit de US$ 479 milhões em junho. De acordo com dados divulgados hoje pelo Banco Central, a conta de transações correntes registra um superávit no ano, até junho, de US$ 535 milhões, o equivalente a 0,24% do Produto Interno Bruto (PIB). Com o resultado de junho, a conta de transações correntes deu uma virada e passou a acumular em 12 meses um superávit de US$ 1,276 bilhão, correspondente a 0,28% do PIB. Até maio, a conta de transações correntes registrava um déficit de US$ 501 milhões. O resultado de junho é bem melhor do que o verificado no mesmo mês do ano passado, quando a conta de transações correntes registrava um déficit de US$ 1,298 bilhão. No acumulado do ano, a melhora também é significativa, já que de janeiro a junho de 2002 a conta corrente registrava um déficit de US$ 8,434 bilhões. Em maio desse ano, as transações correntes foram superavitárias em US$ 882 milhões. Esse superávit registrado pelo País no saldo das transações correntes em junho é o melhor apurado pelo Departamento Econômico (Depec) do Banco Central, para meses de junho, desde 1990. Segundo o chefe do Depec, Altamir Lopes, em junho de 90 o País havia registrado um superávit nas transações correntes de US$ 804 milhões. O superávit acumulado em 12 meses foi o primeiro obtido desde outubro de 1994. Mas Lopes chama atenção para o fato de que esse resultado - saldo positivo de US$ 1,276 bilhão - não é o melhor da série. "Em setembro de 1994 tivemos um superávit das transações correntes acumulado em 12 meses de US$ 2,829 bilhões, o equivalente a 0,56% do PIB", disse Lopes. A necessidade de financiamento externo em junho ficou negativa em US$ 664 milhões. No acumulado em 12 meses o saldo é negativo em US$ 11,726 bilhões, o equivalente a 2,61% do PIB. Balanço de pagamentos O balanço de pagamentos brasileiro fechou o mês de junho com um superávit de US$ 4,978 bilhões. O resultado foi positivamente influenciado pelo bom desempenho da balança comercial no mês - um superávit de US$ 2,357 bilhões - e pelo ingresso de US$ 4,3 bilhões de recursos do Fundo Monetário Internacional (FMI). De maneira simplificada, o balanço de pagamento é o resultado das transações correntes (balança comercial e conta de serviços e rendas) mais a conta de capital e financeira (onde são contabilizados os investimentos estrangeiros diretos, os investimentos em carteira entre outros ativos). As transações correntes tiveram um superávit de US$ 479 milhões em junho, enquanto a conta de capital fechou o mês com um saldo positivo de US$ 4,803 bilhões. Os erros e omissões ficaram negativos em US$ 303 milhões, gerando portanto o saldo positivo de US$ 4,978 bilhões para o balanço de pagamentos em junho. No primeiro semestre de 2003, o balanço de pagamentos acumulou um superávit de US$ 8,969 bilhões. As transações correntes, neste período, ficaram positivas em US$ 535 milhões, enquanto que a conta de capital e financeira registrou um superávit de US$ 9,926 bilhões. Erros e omissões do primeiro semestre do ano registram um saldo negativo de US$ 1,492 bilhões. Primeiro superávit desde outubro de 1994 Foi a primeira vez desde outubro de 1994 que a conta de transações corrente do balanço de pagamentos do Brasil com o exterior registrou em junho um superávit acumulado em 12 meses, disse o chefe do Departamento Econômico (Depec) do Banco Central, Altamir Lopes. Ele prevê a continuidade de bons resultados das contas externos. Pelos dados do BC, a conta de transações correntes em 12 meses até junho registrou um superávit de US$ 1,276 bilhão. "O resultado é muito positivo. Tudo indica que vamos continuar tendo resultados bons", comentou ele. Para julho, o chefe do Depec estimou um superávit de US$ 600 milhões na conta de transações correntes. Em 2003, a previsão é que a conta de transações correntes registre um déficit de US$ 4,2 bilhões, valor inferior a 1% do PIB. Segundo ele, o bom desempenho da conta de transações correntes esse ano reflete não apenas o superávit da balança comercial, mas também resultados positivos na conta de serviços e rendas. Ele também citou como positivo o crescimento das remessas para o Brasil de recursos enviados por brasileiros que moram no exterior, principalmente Estados Unidos e Japão. "Essas remessas têm crescido bastante", disse ele. Altamir também considerou muito positivo o superávit de US$ 4,978 bilhões do balanço de pagamento em junho. O chefe do Depec ressaltou que, do ponto de vista do financiamento de recursos, tem havido um aumento das captações externas do setor privado de médio e longo prazos. "No início do ano, eram de curto prazo", lembrou ele, acrescentando que a taxa de rolagem dos financiamentos externos tem sido cada vez maior. CC-5 As operações feitas por meio das contas CC5 em julho acumularam, até ontem (23), uma saída líquida de US$ 127 milhões, de acordo com dados do Departamento Econômico (Depec) do Banco Central. O saldo total das operações de contratação de câmbio neste período é positivo em US$ 460 milhões, segundo Altamir Lopes. No segmento comercial, os dados do BC revelam que foram contratados nesses 23 dias do mês US$ 4,909 bilhões para exportações e US$ 2,833 bilhões para importações, gerando portanto um saldo positivo de US$ 2,076 bilhões. No segmento financeiro, as operações de contratação de câmbio para compra somaram até agora US$ 4,043 bilhões enquanto que para venda foram contratados um montante de US$ 5,532 bilhões. Dessa forma, o segmento financeiro acumula em julho um saldo negativo de US$ 1,489 bilhão. Ainda assim, como o resultado do segmento comercial é superior ao do financeiro, o saldo das operações de contratação de câmbio dentro do País é positivo em US$ 587 milhões.

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