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Conta da crise de 2008 chega a US$ 107 bilhões

Esse é o valor dos acordos já fechados por grandes bancos com o governo dos EUA

Altamiro Silva Júnior, O Estado de S.Paulo

16 de julho de 2014 | 02h04

NOVA YORK - A crise financeira de 2008 já custou US$ 107 bilhões aos grandes bancos dos Estados Unidos. Nomes como Citibank, JP Morgan e Bank of America tiveram de pagar multas e indenizações bilionárias ao governo, às agências federais, a outras instituições financeiras e a investidores por conta da venda de papéis lastreados em hipotecas de alto risco que desencadearam a crise. E essa soma pode aumentar nos próximos meses, porque alguns bancos seguem discutindo na Justiça o valor de novas indenizações.

O acordo mais recente foi anunciado na segunda-feira, quando o Citibank pagou US$ 7 bilhões. Após esse caso ser encerrado, a expectativa em Wall Street é que as conversas do Bank of America com a Justiça avancem e o banco pode ter de desembolsar mais US$ 12 bilhões este ano. A imprensa dos EUA comenta ainda que Goldman Sachs e Wells Fargo podem fechar acordos similares.

Além das multas bilionárias, os grandes bancos podem ter de enfrentar a justiça criminal porque, até agora, nenhum executivo de alto escalão das instituições financeiras foi preso por conta das vendas dos chamados "ativos tóxicos" que desencadearam a crise de 2008 e colocaram os EUA em recessão. Por isso, a administração de Barack Obama vem recebendo críticas por não ser dura o bastante com os grandes bancos.

O procurador-geral dos EUA, Eric Holder, declarou que, no caso do Citi, o alto valor da multa não absolve o banco e seus funcionários de terem de lidar com a justiça criminal. "A conduta do banco foi degradante", afirmou o procurador, que espera resolver ainda outros casos sobre as hipotecas antes de se aposentar no final deste ano.

Holder, porém, não deu mais detalhes de eventuais processos criminais contra os bancos. Ontem, na teleconferência para comentar os resultados do Citi, os executivos do banco também não comentaram sobre essa possibilidade. "O acordo nos permite avançar e nos estabilizar no futuro, não no passado", afirmou o presidente da instituição, Michael Corbat, em uma nota à imprensa.

Derivativos. Os grandes bancos estão sendo responsabilizados por terem vendido aos investidores ativos lastreados em hipotecas de alto risco, por meio de securitização ou via derivativos. Mesmo sabendo que a probabilidade de calote das hipotecas que serviam de lastro para essas operações era alta, os bancos colocaram os papéis no mercado.

Um e-mail trocado por funcionários do Citi e divulgado pela Justiça ilustra como o banco, mesmo sabendo dos riscos, ofereceu os papéis aos investidores. "Fizemos os processos de análise dos números ('due diligence', no jargão do mercado financeiro) e acho que a gente deveria começar a rezar", diz a mensagem interna. A Justiça dos EUA chegou a pedir inicialmente US$ 12 bilhões de multa ao Citi, enquanto o banco propunha pagar US$ 363 milhões em abril, segundo uma reportagem do The New York Times.

O JPMorgan, maior banco dos EUA, foi obrigado a pagar US$ 13 bilhões em novembro, a maior multa até agora. Mas considerando os vários acordos, incluindo com alguns investidores, o Bank of America já desembolsou US$ 56 bilhões em diversos casos desde 2010, segundo um levantamento da SNL Financial. Em março último, fechou um acordo de US$ 9,5 bilhões por conta de hipotecas vendidas para as agências Fannie Mae e Freddy Mac, quer sofreram intervenção de Washington na crise de 2008.

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