Conta de luz da AES Eletropaulo terá um reajuste de 0,43%

A pequena alta vale para o consumidor residencial; as indústrias, por sua vez, terão redução de 0,87% no valor da energia

O Estado de S.Paulo

03 de julho de 2013 | 02h07

Os consumidores residenciais da Eletropaulo Metropolitana vão pagar uma tarifa 0,43% maior a partir de amanhã. A companhia atende 6,5 milhões de unidades consumidoras na região da cidade de São Paulo.

O reajuste médio para os clientes seria de 9,73%, influenciado principalmente pelo custo da companhia com a compra de energia, que ficou mais cara devido à escassez de chuvas. Mas o aumento foi compensado por uma decisão da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

A cada quatro anos, a Aneel promove um ciclo de revisão das tarifas das distribuidoras de energia, que visa manter o equilíbrio econômico-financeiro dos contratos. Para a Eletropaulo, o processo deveria ter ocorrido em julho de 2011, mas foi feito apenas em julho do ano passado, por decisão da Aneel. Na prática, com o atraso, os consumidores pagaram uma tarifa mais cara por um ano.

Agora, os consumidores serão reembolsados. Para evitar um reajuste, a Aneel decidiu aplicar quase 70% do desconto a que os clientes teriam direito na conta de uma vez. Os outros 30% serão repassados em 2014, quando esses efeitos também serão sentidos no processo de revisão tarifária: se a Aneel aprovar um aumento, ele será inferior devido a esse desconto. Se o reajuste for negativo, a queda na tarifa será ainda maior.

Efeito. Como as tarifas para os grandes consumidores industriais tiveram uma queda de 0,87%, o efeito médio a ser sentido pelos clientes será nulo.

O presidente da AES Eletropaulo, Britaldo Soares, negou, porém, que a decisão afete o plano de investimentos da companhia para este ano, de R$ 640 milhões. "É uma decisão que julgo equilibrada, porque atende aos interesses dos consumidores, pelo efeito médio zero, e que também preserva os interesses da companhia", disse Britaldo.

O executivo destacou que os custos que a companhia teve com as usinas térmicas, que produzem uma energia mais cara que a das hidrelétricas, foram integralmente compensados pelo governo. Em dez dias, a Eletropaulo deve receber um depósito de R$ 506 milhões para cobrir esse gasto.

A falta de chuvas no fim do ano passado e começo de 2013 elevou o custo da energia e iria comprometer boa parte do desconto médio de 20% nas contas de luz, obtido com o pacote da presidente Dilma Rousseff de renovação antecipada das concessões do setor.

Por isso, o governo optou por ressarcir as companhias, e evitar o reajuste das tarifas. "Isso reforça ainda mais os níveis de caixa, que hoje já são de mais ou menos R$ 900 milhões", afirmou Britaldo.

Na avaliação do banco Credit Suisse, porém, a forma como o reajuste foi dado vai pressionar os resultados da empresa. "Notamos que a dívida era esperada para ser amortizada ao longo dos próximos três anos (até 2015). Com a decisão da Aneel de usar dois terços em 2013, o resultado da AES Eletropaulo será ainda mais pressionado. Essa é outra má notícia para a empresa", disse o analista do Credit, Vinicius Canheu, em comentário ao mercado. / ANNE WARTH E WELLINGTON BAHNEMANN

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