Conta de luz pode cair 11% em São Paulo

É a primeira vez que há um corte tão significativo na tarifa. Em 2006, foi de 1,91%

Agencia Estado

21 de junho de 2007 | 12h46

A tarifa de energia elétrica no Estado de São Paulo poderá ficar até 11% mais barata a partir do mês que vem para os consumidores residenciais atendidos pela Eletropaulo. A distribuidora responde pelo abastecimento de energia de 24 cidades do Estado, inclusive a capital. A energia elétrica de São Paulo tem maior peso no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). O grupo energia elétrica responde por 3,71% do indicador oficial da inflação.É a primeira vez que há um corte tão significativo na tarifa. No ano passado, a queda foi de apenas 1,91% para a tarifa residencial, que resultou somente da revisão anual, que considera, entre outros fatores, variações da inflação passada.Neste ano, no entanto, há uma revisão tarifária, prevista para ocorrer a cada quatro anos. Nela entram não apenas as variações de inflação, mas também as mudanças na estrutura de custos da companhia, ganhos de produtividade e fatores macroeconômicos, como oscilações de câmbio e juros, entre outros.NúmerosO índice de redução de 11% para a tarifa residencial é o proposto pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), órgão regulador do setor, em nota técnica. Na média das contas residenciais e industriais, o órgão trabalha com uma queda de 9,01%. Em audiência pública realizada na semana passada em São Paulo, o órgão apresentou um índice preliminar de 5,41% de redução, que leva em conta a estrutura de custos da empresa. Acrescido das variáveis macroeconômicas, a queda proposta pela Aneel chega 9,01%, em média.Já a Eletropaulo tem outros números. Nas contas do vice-presidente de Assuntos Regulatórios da empresa, Carlos Augusto Brandão, a tarifa ao consumidor residencial poderá cair 8% e, em média, entre 6,5% e 7% para consumidores residenciais e industriais. Ele argumenta que a empresa considera uma redução de custos, obtida por meio de ganho de produtividade, entre outros fatores, de 2% a 3%. A diferença de quatro pontos porcentuais para totalizar 7% de queda se refere aos valores dos indicadores macroeconômicos, como câmbio, inflação, por exemplo, que a companhia leva em conta nesse total. Divergências à parte, quem vai bater o martelo de quanto será o corte será Aneel, até o dia 3 de julho."O corte só não será maior por causa dos custos que nós não somos responsáveis, como gastos com a compra de energia elétrica, transmissão, tributos, entre outros", afirma Brandão. De cada R$ 100 da conta de energia, ele diz que R$ 82 se referem a custos que estão fora da área de atuação da distribuidora e apenas R$ 18 dizem respeito a gastos da própria empresa.Menor tarifa residencialO executivo acrescenta que se a Aneel determinar a redução de 11%, a Eletropaulo terá menor tarifa residencial do País, de R$ 0,25 por quilowatt/hora. Hoje a tarifa é de R$ 0,28.Após um longo período inflacionário, em que os preços não paravam de aumentar, o brasileiro começa a conviver com uma nova realidade, especialmente no caso dos preços administrados, que por muito tempo foram os vilões da inflação.Segundo a economista da Tendências Marcela Prada, os preços administrados, que inclui energia, vão responder neste ano por 26%, ou 1 ponto porcentual de uma inflação de 3,4% para o IPCA. Em 2006, a fatia dos administrados foi de 43%.

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