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Conta de luz pode ter bandeira vermelha nível dois até o final do ano

Previsões de chuvas abaixo da média devem pressionar tarifas até novembro; bandeira vermelha nível dois adiciona R$ 5 para cada 100 kilowatts-hora consumidos

Reuters

18 Junho 2018 | 19h10

Previsões de chuvas abaixo da média ao longo dos próximos meses na região dos reservatórios das hidrelétricas, principal fonte de geração do Brasil, devem pressionar as chamadas bandeiras tarifárias, mecanismo criado para sinalizar ao consumidor eventuais reduções na oferta de energia, disseram especialistas nesta segunda-feira, 18.

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Com isso, existe uma expectativa generalizada de que se mantenha nos próximos meses a chamada bandeira tarifária vermelha nível 2, já acionada para junho, que adiciona R$ 5 às contas de luz a cada 100 kilowatts-hora consumidos.

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As bandeiras geram cobranças extras para os consumidores quando saem do verde para o amarelo ou para a bandeira vermelha, que é dividida em dois patamares, sendo o segundo o mais caro.

“Nós esperamos que a bandeira vermelha 2 continue até o final do ano”, escreveram analistas do banco UBS em relatório nesta segunda-feira.

“Existe um certo consenso... tem vários agentes de mercado que estão indo nessa linha, até novembro com bandeira vermelha, por uma questão principalmente de hidrologia. Apesar de a carga não estar crescendo como se esperava, a hidrologia está ficando bem abaixo da média”, disse à Reuters o presidente da comercializadora Copel Energia, Franklin Miguel.

As chuvas na região das hidrelétricas do Sudeste e do Centro-Oeste estão estimadas para este mês em apenas 78% da média histórica, que já não é favorável porque a partir de maio tem início o chamado “período seco”, com menores precipitações, segundo dados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).

“Estamos entrando agora no período de inverno e o cenário hídrico continua recessivo... estamos esperando bandeira vermelha nível 2 até o mês de outubro”, disse à Reuters o sócio da consultoria Pontoon-e, Marcos Severine.

Ele estimou que, caso confirmada a projeção, a energia elétrica poderia contribuir em cerca de 0,60 ponto percentual para a inflação medida pelo IPCA em 2018.

Na comercializadora de energia Compass, a projeção, mais conservadora, é de bandeira tarifária vermelha nível 2 ao menos até setembro.

“Até lá com certeza é vermelha. Agora outubro, novembro e dezembro ainda não dá para afirmar”, disse o diretor da Compass, Paulo Mayon.

Ele disse que, ao final de maio, os modelos de projeção apontavam para a possibilidade de chuvas ruins em julho, que eventualmente poderiam se reverter em agosto, o que explica o cenário um pouco mais otimista da consultoria, que vê possibilidade de bandeira amarela em outubro e novembro.

Impacto no mercado. A hidrologia fraca prevista para os próximos meses deve impactar negativamente geradores hídricos com elevado volume de energia já vendida para clientes, como a Cesp, apontaram os analistas do UBS, enquanto empresas com maior nível de capacidade descontratada poderão aproveitar e vender energia a preços melhores no mercado spot de eletricidade.

O banco colocou Copel e AES Tietê como as que podem aproveitar melhor a conjuntura.

O cenário hídrico também elevou o custo de contratos de energia para o segundo semestre, que chegaram a ser cotados em cerca de R$ 188 no início do ano e R$ 230 no começo de abril, mas agora são negociados a cerca de R$ 300, segundo Mayon, da Compass.

“A precificação do segundo semestre vai se comportando de acordo com essa deterioração na entrada das chuvas”, afirmou.

A CCEE estima em seu cenário-base que os reservatórios das hidrelétricas chegarão a novembro, quando começa o período de chuvas, em 25% da capacidade, contra cerca de 19% no ano passado.

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